sexta-feira, 20 de novembro de 2009
ensaios para não se esvaziar
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Thaís Almeida Prado ou ...e então, eu abri meus olhos...
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segunda-feira, 9 de novembro de 2009
vulgo "xamã di céu"
Poderia ficar aqui escrevendo horas para vocês sobre minhas experiências nestas viagens que tenho feito e tudo mais, mas sinto que se escrever demais vou acabar deixando de aproveitar o meu dia apos dia.
Agora em Arc et Senans, o céu tem grandes nuvens pretas, mas o sol não deixa de aparecer por entre elas e iluminar a nossa grande cidade ideal, A Vila de Chaux, uma cidade inteiramente planejada por Claude-Nicolas Ledoux, que só existe até sua metade.
O desenho é de uma meia lua. Só temos a metade...
* notas de rodapé
Aqui o frio bate e ultrapassa as minhas pernas. Eu não sofro com ele, e isso é bom.
Da janela de meu quarto vejo o centro da Saline, hoje um teatro e uma sala de exposição.
estamos tentando descobrir os sabores da frança...
Agora em Arc et Senans, o céu tem grandes nuvens pretas, mas o sol não deixa de aparecer por entre elas e iluminar a nossa grande cidade ideal, A Vila de Chaux, uma cidade inteiramente planejada por Claude-Nicolas Ledoux, que só existe até sua metade.
O desenho é de uma meia lua. Só temos a metade...
* notas de rodapé
Aqui o frio bate e ultrapassa as minhas pernas. Eu não sofro com ele, e isso é bom.
Da janela de meu quarto vejo o centro da Saline, hoje um teatro e uma sala de exposição.
estamos tentando descobrir os sabores da frança...
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segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Residência Artística: Saline Royale d'Arc et Senans
Carolina Bonfim e Thaís de Almeida Prado encabeçarão este projeto na "Saline Royale", França e terão a colaboração dos outros integrantes do CORROSIVO que estarão em São Paulo.
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sexta-feira, 14 de agosto de 2009
...Mas Não para Pequenos Bolsos
Postado por Thaís -
Thaís Almeida Prado ou ...e então, eu abri meus olhos...
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sexta-feira, 15 de maio de 2009
Maria-ia Catibiribia da Maracutia da Fifirifia
Olho para ela.
Uns olhos que já viveram muito mais do que eu posso imaginar.
Ela observa. Os olhos virados para a direita acima...
o vento que bate na janela e movimenta seus finos cabelos branquinhos.
Chove. o céu é cinza. mas a sala quentinha.
Ela diz sim com a cabeça e sorri.
Vão construir 5 salas.
Onde?
Não sei, foram eles que disseram.
Não vejo ninguém e nem quem disse o que.
Imagino.
Seus olhos continuam no mesmo ponto fixo.
Sim eles disseram, parece que veio dalí.
Será que é na história? Algo do passado... ela diz.
Sem saber como entender, observo a senhorinha frágil, com os cabelos curtinhos e penteados a lá 20, em sua cadeira de rodas e com sua sonda/almoço.
Ela aperta bem forte as minha mãos, tateia o meu rosto, como se tateando ela pudesse me conhecer, ou reconhecer.
Segura firme a minha blusa – Preciso que você me leve no ponto da rua Riachuelo.
Ela tem 85 anos.
O que tem no ponto da rua Riachuelo tia?
.
.
.
.
Não sei
ela diz... porque será mesmo que eu queria ir na rua Riachuelo?
Ela ri.
Olha para mim. Seus olhinhos buscam nos meus uma explicação. Nossa cumplicidade não é racional. Não entendemos quem e o que somos naquele momento. Ela num mundo que desconheço e eu num mundo que ela não mais conhece.
À sério, à sério. Ai ai ai ai ai. E ela repete essas pequenas palavrinhas.
Ai ai ai ai ai. Quero ir pra casa.
Já está.
Quero ir pra casa.
Já está.
Onde é sua casa? Não sei. Não sei. é lá.
Já disse das salas? Sim, disse sim tia. Serão 5.
Preciso ir para o ponto da rua Riachuelo.
Quem está lá?
Não sei...
.
...
.
.
. . . .. . . . . esqueci.
.
.
.
.
. . . . . . . . . . . . . . . . . .Porque queria ir mesmo no ponto da rua Riachuelo?
Ai ai ai ai ai. Ai ai ai ai ai.
Suas mãos continuam me apertando com uma força que não sei de onde vem. Ela me olha, me busca e sorri.
.
.
Uns olhos que já viveram muito mais do que eu posso imaginar.
Ela observa. Os olhos virados para a direita acima...
o vento que bate na janela e movimenta seus finos cabelos branquinhos.
Chove. o céu é cinza. mas a sala quentinha.
Ela diz sim com a cabeça e sorri.
Vão construir 5 salas.
Onde?
Não sei, foram eles que disseram.
Não vejo ninguém e nem quem disse o que.
Imagino.
Seus olhos continuam no mesmo ponto fixo.
Sim eles disseram, parece que veio dalí.
Será que é na história? Algo do passado... ela diz.
Sem saber como entender, observo a senhorinha frágil, com os cabelos curtinhos e penteados a lá 20, em sua cadeira de rodas e com sua sonda/almoço.
Ela aperta bem forte as minha mãos, tateia o meu rosto, como se tateando ela pudesse me conhecer, ou reconhecer.
Segura firme a minha blusa – Preciso que você me leve no ponto da rua Riachuelo.
Ela tem 85 anos.
O que tem no ponto da rua Riachuelo tia?
.
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Não sei
ela diz... porque será mesmo que eu queria ir na rua Riachuelo?
Ela ri.
Olha para mim. Seus olhinhos buscam nos meus uma explicação. Nossa cumplicidade não é racional. Não entendemos quem e o que somos naquele momento. Ela num mundo que desconheço e eu num mundo que ela não mais conhece.
À sério, à sério. Ai ai ai ai ai. E ela repete essas pequenas palavrinhas.
Ai ai ai ai ai. Quero ir pra casa.
Já está.
Quero ir pra casa.
Já está.
Onde é sua casa? Não sei. Não sei. é lá.
Já disse das salas? Sim, disse sim tia. Serão 5.
Preciso ir para o ponto da rua Riachuelo.
Quem está lá?
Não sei...
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...
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. . . .. . . . . esqueci.
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. . . . . . . . . . . . . . . . . .Porque queria ir mesmo no ponto da rua Riachuelo?
Ai ai ai ai ai. Ai ai ai ai ai.
Suas mãos continuam me apertando com uma força que não sei de onde vem. Ela me olha, me busca e sorri.
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quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Serenata...
Quando cheguei eu deveria ter uns 7, 8 anos.
Eu estava dentro de um navio.
Não.
Eu estava dentro de um ventre. De minha mãe talvez.
Não. Minha mãe não estava.
Eu tinha 7, 8 anos...
Acho que cheguei no frio. úmido...
Tinha dois irmãos. Não, acho que um era meu marido.
Beijei sua boca e disse – "Eu te amo".
Quem estava no ventre não era eu e sim ele. Meu filho. Filho do meu marido.
Meus irmãos cresceram e eu casei. Casei pequena.
O ventre era quente e úmido
mas eu tenho frio
Nasci agora.
Não.
Dei a Luz. Não, não dei a luz. Ele morreu. Morreu antes que eu pudesse lhe dar um beijo.
A minha respiração nunca foi o que deveria ser...
Voltei.
O navio era frio. Escuro.
Não podia ver. Apenas pegar.
Peguei na mão dele e sorri.
Ele não viu meu sorriso... pensou em lágrimas
Tenho medo de não poder mais ver
Não vejo meus pais.
Atravessei muitas lágrimas...
Estou longe demais.
Longe demais do começo.
Sou um meio sem começo e fim.
Eu estava dentro de um navio.
Não.
Eu estava dentro de um ventre. De minha mãe talvez.
Não. Minha mãe não estava.
Eu tinha 7, 8 anos...
Acho que cheguei no frio. úmido...
Tinha dois irmãos. Não, acho que um era meu marido.
Beijei sua boca e disse – "Eu te amo".
Quem estava no ventre não era eu e sim ele. Meu filho. Filho do meu marido.
Meus irmãos cresceram e eu casei. Casei pequena.
O ventre era quente e úmido
mas eu tenho frio
Nasci agora.
Não.
Dei a Luz. Não, não dei a luz. Ele morreu. Morreu antes que eu pudesse lhe dar um beijo.
A minha respiração nunca foi o que deveria ser...
Voltei.
O navio era frio. Escuro.
Não podia ver. Apenas pegar.
Peguei na mão dele e sorri.
Ele não viu meu sorriso... pensou em lágrimas
Tenho medo de não poder mais ver
Não vejo meus pais.
Atravessei muitas lágrimas...
Estou longe demais.
Longe demais do começo.
Sou um meio sem começo e fim.
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quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
do sem nome...
.
.
Dói quando respiro...
Isso sempre vem
A guerra, a guerra e não há guerra de fato.
Espero por algo que não vem?
Quem é você?
uma árvore tentando sobreviver.
Quem é você?
uma jaboticabeira tentando sobreviver.
Quem é você?
ninguém.
À janela à espreita. A janela aberta. Sons dos carros que não existiam, e agora estão aqui.
Uma dor no peito. Uma distância por dentro.
Corro. O barulho das pedras no chão.
perseguição. ferida.
estou ferida. braços, pernas, ventre.
Eu à espreita.
Corro para não existir.
corro para não ser vista.
Aqui todos são vistos.
Vivo na contradição de uma chaminé e um Shopping center.
Que sou eu?
Toco fogo na minha prisão.
A mulher dos trilhos.
frente aos trilhos espero que o trem me arrebate.
Quero ser tacada para o fim do sem fim. Ele existe?
Corro para não existir.
uma mão me arrebata. uma força violenta. vôo.
Eu à espreita olho pelo buraco.
o buraco do meu embaixo.
estou do lado do que se vê.
estou do outro lado do muro.
Alí a guerra é perfeita.
A Guerra.
Eu à guerra.
ou não há guerra de fato. eu na guerra de fato.
aqui eu sou perfeita, mas não me sou.
Quem é você?
eu
um buraco que atravessa o vazio.
.
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Dói quando respiro...
Isso sempre vem
A guerra, a guerra e não há guerra de fato.
Espero por algo que não vem?
Quem é você?
uma árvore tentando sobreviver.
Quem é você?
uma jaboticabeira tentando sobreviver.
Quem é você?
ninguém.
À janela à espreita. A janela aberta. Sons dos carros que não existiam, e agora estão aqui.
Uma dor no peito. Uma distância por dentro.
Corro. O barulho das pedras no chão.
perseguição. ferida.
estou ferida. braços, pernas, ventre.
Eu à espreita.
Corro para não existir.
corro para não ser vista.
Aqui todos são vistos.
Vivo na contradição de uma chaminé e um Shopping center.
Que sou eu?
Toco fogo na minha prisão.
A mulher dos trilhos.
frente aos trilhos espero que o trem me arrebate.
Quero ser tacada para o fim do sem fim. Ele existe?
Corro para não existir.
uma mão me arrebata. uma força violenta. vôo.
Eu à espreita olho pelo buraco.
o buraco do meu embaixo.
estou do lado do que se vê.
estou do outro lado do muro.
Alí a guerra é perfeita.
A Guerra.
Eu à guerra.
ou não há guerra de fato. eu na guerra de fato.
aqui eu sou perfeita, mas não me sou.
Quem é você?
eu
um buraco que atravessa o vazio.
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sábado, 10 de janeiro de 2009
Corrosivo encontra Emilio García Wehbi

Corrosivo encontra Emilio Garcia Wehbi
Emilio García Wehbi nace en la ciudad de Buenos Aires en Marzo de 1964.
Es director teatral, actor, artista visual y docente.
(fonte: alternativa teatral)
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quarta-feira, 19 de novembro de 2008
"Mas Não para pequenos bolsos" - uma performance
Sobre (uma performance ?)
Quando (sábado de feriado, pois é...)
Onde (não muito perto...)
Espaço Clarice Jorge
End: Rua José Bonifácio, 516 - Centro
Essa que vos escreve.
"...Mas Não para Pequenos Bolsos", é parte da performance/instalação "... Mas Não ou Perguntas Idiotas Merecem uma Morte Rápida", que busca promover a relação entre o público, o espaço e a performer.
Neste fragmento do trabalho a performer se utiliza do T.OC (Transtorno Obcessivo Compulsivo) e do texto de Gertrude Stein "Am I to Go or I'll Say So", para se relacionar com o público que pode manipulá-la através de alguns elementos pré-estabelecidos e assim participar diretamente da criação e recriação do roteiro/não roteiro da performance.
Quando (sábado de feriado, pois é...)
22 de novembro de 2008.
Às 15 horas.Onde (não muito perto...)
Espaço Clarice Jorge
End: Rua José Bonifácio, 516 - Centro
Mogi das Cruzes
Fone: (11) 4725-4398
Quem (???)Fone: (11) 4725-4398
Essa que vos escreve.
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sexta-feira, 31 de outubro de 2008
PAPEL DE JÚLIA, de Helton Okada
Primeiro Plano 2008 - Critica Cinematografica Os lábios plasmados em rubi tragavam mais que a fumaça do cigarro. Pareciam tragar os últimos momentos de realidade, antes do chamado de André. Papel de Júlia começa desfilando possibilidades. A cogitação de que o casal já se conhecia surge em determinados momentos, no entanto, a forma como os papéis são desempenhados demonstra que a trama envolve mais elementos simbólicos do que podemos visualizar na tela. Letícia torna-se Júlia. E a encarnação desse papel traz consigo certo pesar, certo desejo de contestação. Letícia precisa se anular, se despir de si, retirar seu batom rubi, para se encaixar na fantasia de André e seu vestido perolado.
O portal para uma fenda no tempo é aberto quando a aliança enlaça o dedo de Letícia/Júlia. Talvez não venha a ser uma fenda no tempo, mas apenas uma fantasia nunca concretizada com uma Júlia morta, desaparecida, presente, ou mesmo de bruma.
Letícia se entrega finalmente a este universo que parece não ser de todo desconhecido por ela. Durante a volta, no carro, Letícia já indica seu desconforto, como se o retorno para a realidade fosse penoso. A chegada à rua fecha o ciclo. André agradece à Letícia pelo serviço prestado, como se tratasse de uma necessidade corriqueira, trivial. Sua fala (“Qual seu nome mesmo?”) traz para a cena um clima até então inexistente de leveza e naturalidade, o que não infere, necessariamente, sinceridade.
Letícia se senta no chão e acende o cigarro. Novamente junto com o trago, a personagem suga sua realidade e retoma seu papel de Letícia. Seu riso nervoso deixa escapar uma dualidade entre a atração pela desfiguração de si e de seu mundo e a negação da sua identidade. O curta deixa no ar uma sensação de leveza, porém não “des-tensa”.
Papel de Júlia traz à tona questões importantes, dentro das perspectivas pós-modernas de fluidez e não-pertencimento, que tangem a nossa existência e a forma com que lidamos com nossos desejos e as possibilidades de transmutação. Negociações difíceis que exigem momentos de reflexão, sugeridos nas sutilezas do curta de Helton Okada.
O portal para uma fenda no tempo é aberto quando a aliança enlaça o dedo de Letícia/Júlia. Talvez não venha a ser uma fenda no tempo, mas apenas uma fantasia nunca concretizada com uma Júlia morta, desaparecida, presente, ou mesmo de bruma.
Letícia se entrega finalmente a este universo que parece não ser de todo desconhecido por ela. Durante a volta, no carro, Letícia já indica seu desconforto, como se o retorno para a realidade fosse penoso. A chegada à rua fecha o ciclo. André agradece à Letícia pelo serviço prestado, como se tratasse de uma necessidade corriqueira, trivial. Sua fala (“Qual seu nome mesmo?”) traz para a cena um clima até então inexistente de leveza e naturalidade, o que não infere, necessariamente, sinceridade.
Letícia se senta no chão e acende o cigarro. Novamente junto com o trago, a personagem suga sua realidade e retoma seu papel de Letícia. Seu riso nervoso deixa escapar uma dualidade entre a atração pela desfiguração de si e de seu mundo e a negação da sua identidade. O curta deixa no ar uma sensação de leveza, porém não “des-tensa”.
Papel de Júlia traz à tona questões importantes, dentro das perspectivas pós-modernas de fluidez e não-pertencimento, que tangem a nossa existência e a forma com que lidamos com nossos desejos e as possibilidades de transmutação. Negociações difíceis que exigem momentos de reflexão, sugeridos nas sutilezas do curta de Helton Okada.
Raquel Lara Rezende
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PAPEL DE JÚLIA, de Helton Okada
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terça-feira, 28 de outubro de 2008
Quando Corpo e Vídeo, Tempo Real e Editado Trabalham Juntos
| De "A Adormecida que Mordeu a Maçã Verde e Não Colocou o Dedo na Roca" |
Territórios Recombinantes
postado por Paloma Oliveira
Thaís de Almeida Prado nasceu em Belo Horizonte (MG), mas foi criada em Curitiba e em SP, onde vive. Estudou teatro, dança moderna, cinema e fotografia. Formada em direção teatral pela ECA/USP, estagiou na França por um mês com o Théâtre du Radeau, onde participou do Festival de Thêàtre d’Avignon como assistente de producão do espetáculo “Vocal Masala”, de Mathilde Lechat; acompanhou o Festival “États généraux du Film Documentaire de Lussas”
Em 2002 entrou para a Cia Auto-Retrato de dança-teatro. Seus trabalhos permeiam a interdisciplinaridade na arte se utilizando das linguagens artes visuais / cinema, teatro, dança para expressar cada trabalho de uma maneira singular. Sem a preocupação de se rotular e definir um único caminho (aliás, muito ao contrário), Thaís é performer, atriz, diretora, roteirista, videoartista, escritora, poeta… ninguém imagina que ela, tão pequenina, com um nome tão grande possa ser tão versátil assim, mas é.
Uma das pessoas que viu essa multifaceta foi Peter Greenaway que abarcou o projeto de Thais A Adormecida que Mordeu a Maça verde e não Colocou o Dedo na Roca à sua exposição no 16o vídeobrasil em 2007.
Essa intervenção concentida transformou a exposição de Greenaway em um lugar vivo, não apenas de obras soltas, mas matéria orgânica e vibracional. Não que todas as exposições devam ter um performer, mas o bom uso de diferentes formas de expressão criativa (assim como o trabalho do próprio Greenaway) transformaram o vulgar em a algo mais… um pouco sobre o projeto nas palavras da própria Thais:
O projeto era dentro da Exposição Tulse Luper Suitcase, do Peter Greenaway.
Fui convidada, ou melhor, me convidei a estar na abertura da exposição dentro de uma das malas expostas (uma mala para Harpas. número 40). Teria que dormir. Então fiz uma contraproposta, “dormiria” na mala, mas escreveria minhas experiências e minhas relações com o espaço e deixaria à mostra este diário de notas para o público. A performance era a minha própria escrita em movimento. Inventava histórias, confundia com textos de alguns autores que gosto, com fragmentos dos filmes do Greenaway etc.
Resolvi que iria todos os dias e ficaria pelo menos 1h. criei um jogo de obstáculos para mim. Dormir não era bem dormir. Estava num estado dormente, onde realidade e sonho se confundiam. Deitava na mala, mas escutava tudo e todos, muitas informações e muito material para criação. quando não estava na mala, estava pelo espaço. Parada muitas vezes em estado de contemplação. contemplava os outros.
Eu era como uma imagem, como um objeto vivo no meio do espaço, daquele espaço que tinha o “morto” e o museológico bem presentes. Era uma natureza morta, porém com vida.
Minhas ações eram mínimas, mas perceptíveis. Respirava, chorava, sorria. Brincava com o gelo que derretia em uma outra mala, olhava no olho de alguém durante horas. A Busca era estar “presente” e ser notada sem ser o foco; ser notada sem ser um evento. era simplesmente eu. de camisola branca. Muitas vezes eu não estava lá no espaço, mas a presença ficava. o Livro permanecia, as pessoas me procuravam.
Havia um mistério em se procurar essa mulher que nem sempre estava. quem era, o que pensava… etc
Através da minha escrita me comuniquei com o público… eles começaram a me escrever cartas em resposta. Foi um processo muito intenso e ao mesmo tempo delicado. Passei um mês sem querer sair e fazer outras coisas. me confinei de uma maneira boa. à moda da Sophie Calle (uma artista francesa, que esse ano tá na Bienal de Veneza)
O tema se tornou a Espera. a constância. o mínimo como máximo.
a maçã verde que mordi e que ficava ao lado de minha mala apodreceu com o tempo. ela era o meu tempo naquele momento.
e talvez eu fosse ela
Uma pequena entrevista cedida por Thais ao TR…
NOVAS INQUIETAÇOES
Nos dois últimos trabalhos, eu pesquisava a relação do performer com o espaço (uma instalação multimídia) e com o público. Foi assim em “…Mas Não” e “A Adormecida que Mordeu a Maça verde e não Colocou o Dedo na Roca”, este ultimo foi feito em parceria à exposição Tulse Luper Suitcases, do Peter Greenaway.
No novo trabalho que estou desenvolvendo com o CORROSIVO coletivo, a pesquisa anterior permance, e trabalhamos com uma parte de video documental entrevistando quem já conviveu com o ambiente da Casa das Caldeiras, ainda estamos em fase de criação, mas pretendemos fazer uma instalação cênica. O tema é a Transitoriedade.
Nos trabalhos que faço percebo que a questão da memória e temporalidade são bem fortes, mesmo que não parta de nenhuma destas questões, de alguma maneira acabo chegando a isso.
ESTETICA E PLASTICIDADE
Normalmente parto de uma pesquisa de linguagem que me inspire na criacão estética, e que se relacione com o tema já escolhido, ou vice e versa. Pra mim é sempre importante ter a questão da pesquisa de linguagem, de adentrar lugares desconhecidos e um tema que me cause “formigamentos”, porque senão parece que falta alguma coisa…
Mas isto é um gosto pessoal.
Não busco uma única linguagem nas artes, acabo sempre indo para a interdiciplinariedade. Acho que a estética que busco, se assim podemos, é a fusão das diversas linguagens artisticas. Na verdade isso não é consiente, vem com cada projeto, ele mesmo acaba me levando a seguir um caminho ou outro. Vai depender de qual for a melhor maneira de me expressar com ele.
O CENARIO NACIONAL
Acho que esta interdiciplinariedade que falei acima está muito presente no trabalho da maioria dos artistas.
Mas é engraçado que ao mesmo tempo que buscamos esta fusão e a não classificação de algum trabalho (se é dança, teatro, cinema, videoarte), sempre existe uma classificação, ou alguém pedindo que nos classifiquemos. Só uma divagação sobre a mania que o ser humano tem em colocar nome nas coisas… mas sei que o buraco é mais embaixo.
Acho que eu não consigo dar uma resposta fechada sobre como vejo a cena atual. tenho visto muita performance, dança, cinema ficção e documentário, videoarte, teatro documental… realmente nesses ultimos meses fui bonbardeada de informacãoes e eu preciso deixar a poeira baixar…
APRENDIZADOS E PESPECTIVAS
O processo de criação está sempre muito relacionado aos momentos de vida. Essa troca entre vida que alimenta arte e arte que alimenta a vida, é um dos grandes aprendizados…
Perspectivas são continuar me arriscando, mesmo que dê algo “errado”.
REFERENCIAS
Tenho uma lista que me influencia muito e que sempre retorna na minha “cabeceira”… Hilda Hilst, Sophie Calle, Peter Greenaway, Rogério Sganzerla, Mario Peixoto, Helio Oiticica, Marina Abramovic, David Lynch, Maguy Marin, Beckett, Pina Baush, Jan Fabre, Francis Bacon (o artista plástico), Nietzsche, Sartre, Heiner Muller, Clarice Linspector (o Água Viva principalmente), o casal Matthew Barney e Bjork, Radiohead, de música tem muita coisa também…
enfim, acho que o que mais me atrai neles é que existe uma radicalidade e um risco muito forte. Eles quebram com padrões da arte, mas não pelo simples fato de quebrar, pelo fato de não se satisfazerem com o que já têm. Não sei se dá pra entender…
Acho que eles se arriscam sem medo, claro que ultimamente tem alguns que não andam se arrisando muito, mas…
Existe uma loucura neles, e existe um sarcasmo…
Sem dúvida eu sou influenciada por eles, escolhi eles porque vejo uma afinidade muito forte.
Em alguns trabalhos parti de estudos da obra de alguns artistas como no caso da Hilda Hilst, do Peter Greenaway, do Sartre, e da Sophie Calle, mas na maioria das vezes estes artistas são minhas referências indiretas, eles na verdade me inspiram para a vida.
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quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Corrosivo encontra Quarto Physical Theater
Postar, postar e postar...
ando devendo esta postagem desde nosso encontro com a Quarto Physical Theater / Quarto Teatro Físico / Quarto Fysisk Teater...
O que dizer deste encontro...
Foram tantas divagações... discussões existenciais sobre uma mesa com toalha de (algo que a gente tinha gostado muito, mas eu não me lembro o que é)... lá na casa da Renata...
Qual a condição do artista...
Como poder ser o que se propõe a ser, num país onde a dificuldade financeira grita, e o capital domína.
Foram tantas questões...
*Lembro-me de um de nossos ensaios, o primeiro para Leandro e Ana, onde falamos das *questões personagem/ator... ou personagem vs ator
*Afinal, que máscara é essa que eu trago e que muitas vezes não parece fazer sentido... ?
Um dia corrosivo e quarto se encontram na sala de um tal eletricista. Resolvemos conversar a partir do corpo. Não falamos... respiramos e fizemos uma partitura de movimentos... uma sequencia onde a base era a respiração e a região do ventre... Tão filosófica quanto nossas conersas... tão existencial quanto...
A Renata vencendo seus LimitesBacia... lindo ver a Ana trabalhando ao lado da Renata, e lindo para mim e a Carol que recebemos o olhar do leandro...
UMA HORA A CABEÇA DEU PANE... OU FOI O CORPO. o Meu...
Tudo iso aconteceu na primeira semana de novembro e agora ficou caótico na minha memória....
quebra cabeças.
Não consigo mais ter certeza de nada... acho isso, acho aquilo
Acho que os olhares entre as caldeiras são esses quebra-cabeças que vamos montando durante o processo... um dia a gente acha uma peça dentro de um experimento e coloca sobre a mesa para tentar encontrar onde ela se encaixa... mas talvez esse encaixe possa variar a cada novo dia...
cada peça surge da relação entre os corrosivos e principalmente das pessoas que passam por nós e nos deixam marcas.
Fragmento-me novamente... e tento mais uma vez...
Ensaio aberto da Quarto
frutas, casacos de pele, saltos, fitas, nu, o macaco, o som, microfone, a maça na boca de quem fala... uma cantora de Blues/Rock?
"Tente ser você" - ela diz pra ele.
"√amos tentar outra coisa" -ela diz novamente.
Deixe essa máscara, seja você.
Ela dança. dança? sim, ela dança
Ele lembra da infancia... me remeto ao Retornarse
Ela come suas mexiricaseios
Ele dança nu com a maça na boca
em algum momento ela colocou fita crepe vermelho no chão e falou de macacos...
ele andou entre esta fita e comeu o microfone.
Assim? nessa ordem?
assim nesse momento. agora.
São tantas fotos em minha retina... tantos sons e cheiros que restam... eu poderia narrar um principio meio e fim, mas não é isso... não é isso que quero...
Abraçøs longos e apertados...
Parece que novamente reencontrei pessoas que fazem nossos olhos brilharem
Meu coração quer saltar pela boca, porque eu realmente estava extremamente a flor da pele. calma... um pé depois do outro... calma... respiro uma felicidade melancólica de ter me reencontrado no encontro com eles... eles corrosivo, eles quarto, eles auto-retrato.
Não vou reler...
vai assim como um fluxo de pensamento
não quero correções,
quero o agora.
Thaís
ando devendo esta postagem desde nosso encontro com a Quarto Physical Theater / Quarto Teatro Físico / Quarto Fysisk Teater...
O que dizer deste encontro...
Foram tantas divagações... discussões existenciais sobre uma mesa com toalha de (algo que a gente tinha gostado muito, mas eu não me lembro o que é)... lá na casa da Renata...
Qual a condição do artista...
Como poder ser o que se propõe a ser, num país onde a dificuldade financeira grita, e o capital domína.
Foram tantas questões...
*Lembro-me de um de nossos ensaios, o primeiro para Leandro e Ana, onde falamos das *questões personagem/ator... ou personagem vs ator
*Afinal, que máscara é essa que eu trago e que muitas vezes não parece fazer sentido... ?
Um dia corrosivo e quarto se encontram na sala de um tal eletricista. Resolvemos conversar a partir do corpo. Não falamos... respiramos e fizemos uma partitura de movimentos... uma sequencia onde a base era a respiração e a região do ventre... Tão filosófica quanto nossas conersas... tão existencial quanto...
A Renata vencendo seus LimitesBacia... lindo ver a Ana trabalhando ao lado da Renata, e lindo para mim e a Carol que recebemos o olhar do leandro...
UMA HORA A CABEÇA DEU PANE... OU FOI O CORPO. o Meu...
Tudo iso aconteceu na primeira semana de novembro e agora ficou caótico na minha memória....
quebra cabeças.
Não consigo mais ter certeza de nada... acho isso, acho aquilo
Acho que os olhares entre as caldeiras são esses quebra-cabeças que vamos montando durante o processo... um dia a gente acha uma peça dentro de um experimento e coloca sobre a mesa para tentar encontrar onde ela se encaixa... mas talvez esse encaixe possa variar a cada novo dia...
cada peça surge da relação entre os corrosivos e principalmente das pessoas que passam por nós e nos deixam marcas.
Fragmento-me novamente... e tento mais uma vez...
Ensaio aberto da Quarto
frutas, casacos de pele, saltos, fitas, nu, o macaco, o som, microfone, a maça na boca de quem fala... uma cantora de Blues/Rock?
"Tente ser você" - ela diz pra ele.
"√amos tentar outra coisa" -ela diz novamente.
Deixe essa máscara, seja você.
Ela dança. dança? sim, ela dança
Ele lembra da infancia... me remeto ao Retornarse
Ela come suas mexiricaseios
Ele dança nu com a maça na boca
em algum momento ela colocou fita crepe vermelho no chão e falou de macacos...
ele andou entre esta fita e comeu o microfone.
Assim? nessa ordem?
assim nesse momento. agora.
São tantas fotos em minha retina... tantos sons e cheiros que restam... eu poderia narrar um principio meio e fim, mas não é isso... não é isso que quero...
Abraçøs longos e apertados...
Parece que novamente reencontrei pessoas que fazem nossos olhos brilharem
Meu coração quer saltar pela boca, porque eu realmente estava extremamente a flor da pele. calma... um pé depois do outro... calma... respiro uma felicidade melancólica de ter me reencontrado no encontro com eles... eles corrosivo, eles quarto, eles auto-retrato.
Não vou reler...
vai assim como um fluxo de pensamento
não quero correções,
quero o agora.
Thaís
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domingo, 19 de outubro de 2008
de Thaís: proposta de experimentação

Dependendo de onde e como você esteve (sentado, deitado, atrás do muro, da janela, do alto do edifício, dentro de um buraco, invisível ou na chaminé) a olhada foi uma e única (não nos responsabilizamos)
o piquenique aconteceu em 1929 próximo ao Rio Tietê / Em 2008 aconteceu em um heliporto (também conhecido como campo de golfe e/ou estacionamento de helicópteros)
Estiveram presentes duas garotas amigas.
na bela cesta:
comida farta: frango assado, carneiro assado e polenta suculenta (preparados pela mãe) / comida rápida: pipoca de microondas, mini-cenouras lavadas prontas para consumir e, para acompanhar, algumas bananas (adquiridos no supermercado do novo shopping center, localizado na esquina)
há pássaros.
há ruídos.
estávamos sendo vigiadas.
foi um dia atípico para um piquenique: não fez sol e a garoa era incessante.
por Carolina Bonfim e Renata Ferraz
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quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Postagem para CORROSIVO
Bom, começamos com um proto-energético... acho que ele influenciou de uma certa maneira as nossas relações com o espaço.
Os nossos olhares. eu estava ansiosa para escrever, pois observar é o que eu mais faço ultimamente... aliás é o que eu mais sempre fiz. Queria escrever pra parar de observar... mas mesmo assim a observação ao espaço foi boa... acabei transformando a ansiedade em música, fala, dança. Depois consegui escrever baseada nos elementos que ali vivi.
"Perseguição... pedrinhas... pessoas que corriam a minha volta. Por que correm? será que fogem também? a casa é quentinha e tem as luzes acesas. quem mora lá? queria poder passar do outro lado do muro, mas sei que se eu passar eles vão me pegar. Aqui está tudo corroido pelo tempo. acho que eu também me deixei corroer."
Alguma coisa de semelhante entre todos ali naquele espaço. -o que me fez parar de correr? a competição talvez, disse o Alê. gostei tanto desta outra frase do Alê: "eu queria que uma Pedra me achasse e não que eu achasse uma". - o marcos andava de costas, pra não ir de frente contra o vento. andava de costas e confiava em si, como se soubesse pra onde ia sem ter que olhar pra frente. Andar pra frente olhando pra trás. A Carol destacou as epidemias no início do séc. XX, pois havia lido um livro sobre isso e neste momento se depara com um rato vagando pela casa das caldeiras...
E uma pergunta: o que a Re fazia enquanto a gente vagava naqueles 40 minutos gelados e cheios de informação? Pesquisar entre 1880 até 1932... bisavós... quem foram e onde estiveram...
Acho que é isso...
por Thaís
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por Thaís
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Tempo Forte
No contexto do Programa de Residência Artística OBRAS EM CONSTRUÇÃO, a Casa das Caldeiras apresentou de 01 a 05 de setembro de 2008 os projetos em desenvolvimento dos artistas e pesquisadores residentes.O Programa valoriza o processo do artista no curso do desenvolvimento de sua obra com o local, tendo como desafio, a dialética entre Arte, Território e Patrimônio que a Casa das Caldeiras peculiarmente propicia.
O Programa consiste em viabilizar espaços de Residência propondo acompanhamento logístico, administrativo e de estruturação do projeto, fomentando um contexto de troca de conhecimentos, métodos e impressões entre seus residentes.
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Residência Artística: Casa das Caldeiras
As artistas Carolina Bonfim e Renata Ferraz, após trabalharem juntas durante cinco anos no mesmo grupo teatral, sentiram a necessidade de desenvolver um trabalho artístico em espaços não convencionais onde pudessem integrar outras linguagens artísticas e trazer o público como o participante de suas obras. Resolveram, então, reunir-se com os artistas Alexandre Teles, Marcos Gorgatti, Thaís de Almeida Prado, Mario Lopes e Edson Secco de diferentes áreas (artes visuais e vídeo, performance, teatro, música,), com o objetivo de pesquisar o terreno híbrido em que as artes se encontram. Criou-se, assim, o coletivo corrosivo.
O trabalho mais recente que o Corrosivo realizou foi uma intervenção urbana na cidade de Rosario (Argentina) dentro do III Festival Internacional de Arte Digital, realizado com o apoio do Ministério da Cultura do Brasil - Programa de Intercâmbio e Difusão Cultural. A intervenção Soa como caos foi pensada e elaborada especialmente para o Festival confrontando patrimônios culturais e a cidade.
Além do projeto “Olhares entre Caldeiras” estamos em fase de desenvolvimento do projeto Andares, selecionado pelo Edital de Co-Patrocínio para Primeiras Obras, promovido pela Secretaria da Cultura do município de São Paulo. O projeto parte da investigação dos espaços relacionados ao Centro Cultural da Juventude e está intrinsecamente ligado aos desejos das pessoas que se relacionam direta ou indiretamente com ele, bem como seu espaço geográfico, político e cultural. Para tanto, buscaremos co-criadores na comunidade e nos seus freqüentadores.
O trabalho mais recente que o Corrosivo realizou foi uma intervenção urbana na cidade de Rosario (Argentina) dentro do III Festival Internacional de Arte Digital, realizado com o apoio do Ministério da Cultura do Brasil - Programa de Intercâmbio e Difusão Cultural. A intervenção Soa como caos foi pensada e elaborada especialmente para o Festival confrontando patrimônios culturais e a cidade.
Além do projeto “Olhares entre Caldeiras” estamos em fase de desenvolvimento do projeto Andares, selecionado pelo Edital de Co-Patrocínio para Primeiras Obras, promovido pela Secretaria da Cultura do município de São Paulo. O projeto parte da investigação dos espaços relacionados ao Centro Cultural da Juventude e está intrinsecamente ligado aos desejos das pessoas que se relacionam direta ou indiretamente com ele, bem como seu espaço geográfico, político e cultural. Para tanto, buscaremos co-criadores na comunidade e nos seus freqüentadores.
Olhares entre Caldeiras
O projeto propõe a criação de uma Instalação Cênica a partir da pesquisa e a reflexão de um espaço vivo como a Casa das Caldeiras, que abriga histórias, memórias e re-significa sua funcionalidade na cidade de São Paulo.
Pretende-se criar uma nova relação com este espaço e interagir com seus componentes históricos, arquitetônicos, humanos, com sua paisagem, clima e demais elementos que o caracterizam.
A realização da Instalação Cênica pressupõe a interferência direta do público não só durante a construção da obra como também em cada dia das apresentações.
Nossa intenção não é recriar a realidade, mas intervir nela. Qual é a relação que as pessoas estabelecem ao passar por um mesmo lugar diariamente? O que pensam e sentem as pessoas sobre as suas memórias, histórias, desejos? E as pessoas que conhecem esse mesmo espaço por dentro? O que nos remete um espaço? Que histórias eu posso criar a partir de um lugar?
O projeto propõe a criação de uma Instalação Cênica a partir da pesquisa e a reflexão de um espaço vivo como a Casa das Caldeiras, que abriga histórias, memórias e re-significa sua funcionalidade na cidade de São Paulo.
Pretende-se criar uma nova relação com este espaço e interagir com seus componentes históricos, arquitetônicos, humanos, com sua paisagem, clima e demais elementos que o caracterizam.
A realização da Instalação Cênica pressupõe a interferência direta do público não só durante a construção da obra como também em cada dia das apresentações.
Nossa intenção não é recriar a realidade, mas intervir nela. Qual é a relação que as pessoas estabelecem ao passar por um mesmo lugar diariamente? O que pensam e sentem as pessoas sobre as suas memórias, histórias, desejos? E as pessoas que conhecem esse mesmo espaço por dentro? O que nos remete um espaço? Que histórias eu posso criar a partir de um lugar?
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quinta-feira, 19 de junho de 2008
A Poética:
De frente para a câmera
............. Ela Anda...........
................... Ela conta
..........................1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 12 13
.................................. Ela perde a conta.
...................................Lágrimas nos olhos.
A câmera se afasta e a deixa minúscula.
Schubert
....Ela desEla.
....Projeções de si.
....Sua duplicidade.
....O Ambiente interno.
....Ela útero
....A câmera na água
....Ela é manipulada como um bebê
....Barulho d’água
....Ela Terra
....Quedas
............Asfalto. Sons do Asfalto.
................................................As Panes.
O som misturado a melodias
frase de entrevistas entrecortadas.
A respiração como forma de texto.
O Grito.
1, 2, 3, 4, 5, 6, 7,8. São 10. Falta 1
.....................15. São 15. Falta 1
.....................1 sempre falta.
.....................Onde está o meu 1?
Crianças dizem fragmentos de palavras sonoras.
Eu toco você?
Onde te toco?
Meu toque incessante
Meu toque insinuante
Meu TOC insensato.
minha tentativa de brincar com as palavras/som... piégas?
Música dos Aborígines australianos. Gaitas de fole. heim!!? onde foi que parei?
O corpo em Crise.
Fragmentos.
Ela em movimentos de contorção.
Deformação.
O corpo na penumbra da luz.
Paralisia.
Algo me puxa para dentro de mim.
Afundo-me
Ela deixa de ser ela para ser outro.
.....................................Fragmento.
O coração pulsa.
Comprime para explodir.
Dói quando respiro.
As ruas muito movimentadas
Não gosto de ser observada. – Diz ela.
Dói quando respiro.
.
.
De frente para a câmera
............. Ela Anda...........
................... Ela conta
..........................1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 12 13
.................................. Ela perde a conta.
...................................Lágrimas nos olhos.
A câmera se afasta e a deixa minúscula.
Schubert
....Ela desEla.
....Projeções de si.
....Sua duplicidade.
....O Ambiente interno.
....Ela útero
....A câmera na água
....Ela é manipulada como um bebê
....Barulho d’água
....Ela Terra
....Quedas
............Asfalto. Sons do Asfalto.
................................................As Panes.
O som misturado a melodias
frase de entrevistas entrecortadas.
A respiração como forma de texto.
O Grito.
1, 2, 3, 4, 5, 6, 7,8. São 10. Falta 1
.....................15. São 15. Falta 1
.....................1 sempre falta.
.....................Onde está o meu 1?
Crianças dizem fragmentos de palavras sonoras.
Eu toco você?
Onde te toco?
Meu toque incessante
Meu toque insinuante
Meu TOC insensato.
minha tentativa de brincar com as palavras/som... piégas?
Música dos Aborígines australianos. Gaitas de fole. heim!!? onde foi que parei?
O corpo em Crise.
Fragmentos.
Ela em movimentos de contorção.
Deformação.
O corpo na penumbra da luz.
Paralisia.
Algo me puxa para dentro de mim.
Afundo-me
Ela deixa de ser ela para ser outro.
.....................................Fragmento.
O coração pulsa.
Comprime para explodir.
Dói quando respiro.
As ruas muito movimentadas
Não gosto de ser observada. – Diz ela.
Dói quando respiro.
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quinta-feira, 22 de maio de 2008
Algum quadro exposto
Algum Quadro Exposto
Ele a abriu.
A desdobrou, a virou do outro lado...
Dentro dela,
.......................nada
Só o Vazio.
Suas vísceras expostas
Suas vísceras expostas
Suas vísceras expostas
.............Dentro,
...........................Nada
Algo vermelho escorria
Ele não entendia o que era.
Suas mãos também vermelhas
Ele, escorria um líquido salgado.
Ele não sabia o que era no meio daquele Nada dela.
Sozinho,
em pânico
Paralisado.
Ele respirava dor.
Dor não física
Dor quântica.
Pingava vermelho no salão.
Todos sorriam amareladamente.
Ela exposta, observava as próprias vísceras.
O prazer da Descoberta.
Descobrir O de dentro.
Era ela apenas. Ela que estava alí.
Ele tentava sofrer o mesmo procedimento dela
em frente àqueles sorrisos amarelos,
mas algo não funcionava.
Suas vísceras não estavam expostas.
Sua bílis pingava.
Ele,
...........perdido
Respirava.
Respirava bílis
mas seu líquido não era vermelho.
Perdia a coloração a cada pingo.
A cada gota
.....................transparecia
O prazer do nada dela se esgotava
O prazer do nada dela esperava continuar nada
Ela se expremia para escorrer.
As pessoas a sua volta sorriam amareladamente.
Deglutida Ela.
Ele devorava-se sem saber qual era seu começo e onde findava seu fim.
Findar seu fim...
Redundante, ele olhava
...................................perplexo.
.............................................paralisado.
O nada dela o contaminava,
mas seu líquido nunca VERMELHO
Os olhos pululavam.
................................Os dele
........................................Os dela.
As pessoas sorriam e davam as mãos.
E o líquido amarelo?
Por onde sai?
..............Fica
Não sai. Fica.
Ei, Homem! O que tem na minha boca desvairada?
Aparentemente
....................................................Os dentes dela estavam brancos.
Suas mãos iam perdendo a coloração pele e se tornavam uma cor só
Uma cor que se perdia dos olhos.
Suas mãos mudaram do ponto de partida.
hora podiam ser seus pés, hora seus olhos, hora sua língua.
...............Lambia
Ela lambia com as mãos
.........................................Ele
........................À espreita.
Mordia-se
mordia-se para poder engolir suas vísceras
que não apareciam.
.
Ele a abriu.
A desdobrou, a virou do outro lado...
Dentro dela,
.......................nada
Só o Vazio.
Suas vísceras expostas
Suas vísceras expostas
Suas vísceras expostas
.............Dentro,
...........................Nada
Algo vermelho escorria
Ele não entendia o que era.
Suas mãos também vermelhas
Ele, escorria um líquido salgado.
Ele não sabia o que era no meio daquele Nada dela.
Sozinho,
em pânico
Paralisado.
Ele respirava dor.
Dor não física
Dor quântica.
Pingava vermelho no salão.
Todos sorriam amareladamente.
Ela exposta, observava as próprias vísceras.
O prazer da Descoberta.
Descobrir O de dentro.
Era ela apenas. Ela que estava alí.
Ele tentava sofrer o mesmo procedimento dela
em frente àqueles sorrisos amarelos,
mas algo não funcionava.
Suas vísceras não estavam expostas.
Sua bílis pingava.
Ele,
...........perdido
Respirava.
Respirava bílis
mas seu líquido não era vermelho.
Perdia a coloração a cada pingo.
A cada gota
.....................transparecia
O prazer do nada dela se esgotava
O prazer do nada dela esperava continuar nada
Ela se expremia para escorrer.
As pessoas a sua volta sorriam amareladamente.
Deglutida Ela.
Ele devorava-se sem saber qual era seu começo e onde findava seu fim.
Findar seu fim...
Redundante, ele olhava
...................................perplexo.
.............................................paralisado.
O nada dela o contaminava,
mas seu líquido nunca VERMELHO
Os olhos pululavam.
................................Os dele
........................................Os dela.
As pessoas sorriam e davam as mãos.
E o líquido amarelo?
Por onde sai?
..............Fica
Não sai. Fica.
Ei, Homem! O que tem na minha boca desvairada?
Aparentemente
....................................................Os dentes dela estavam brancos.
Suas mãos iam perdendo a coloração pele e se tornavam uma cor só
Uma cor que se perdia dos olhos.
Suas mãos mudaram do ponto de partida.
hora podiam ser seus pés, hora seus olhos, hora sua língua.
...............Lambia
Ela lambia com as mãos
.........................................Ele
........................À espreita.
Mordia-se
mordia-se para poder engolir suas vísceras
que não apareciam.
.
Thaís de Almeida Prado.
Estrada de São Paulo à Londrina, dia 1 de maio de 2008
Estrada de São Paulo à Londrina, dia 1 de maio de 2008
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terça-feira, 20 de maio de 2008
para uma Adormecida que Mordeu a Maçã Verde e Não colocou o Dedo na Roca
Uma Mulher dorme em uma enorme mala. Uma mala para harpas...
seria um caixão?
Uma mulher escreve em um caderno antigo e veste uma camisola do século XIX.
Escreve o que?
Ela percebe os outros à sua volta.
À sua volta, ninguém.
Malas. Apenas. ............ 92 malas com numerações específicas.
A sua; a de número 40.
A mulher resolve que deve sair da mala e procurar.
O que procura?
A quem procura?
Ela procura estar lá. Apenas estar, e contemplar o que há para Estar.
Ao andar, vê as faixas de segurança amarelas e as segue.
Contempla...
Contemplam...
Espero por alguém que não está – diz a moça com um brilho no olhar...
lágrimas escorrem.
Ela lambe o gelo. E bebe para matar a sua sede que não cessa jamais.
A mulher volta ao seu leito e se deleita com palavras/imagens escritas na hora.
Elas são sua vida. São a sua forma de procurar e de esperar.
seria um caixão?
Uma mulher escreve em um caderno antigo e veste uma camisola do século XIX.
Escreve o que?
Ela percebe os outros à sua volta.
À sua volta, ninguém.
Malas. Apenas. ............ 92 malas com numerações específicas.
A sua; a de número 40.
A mulher resolve que deve sair da mala e procurar.
O que procura?
A quem procura?
Ela procura estar lá. Apenas estar, e contemplar o que há para Estar.
Ao andar, vê as faixas de segurança amarelas e as segue.
Contempla...
Contemplam...
Espero por alguém que não está – diz a moça com um brilho no olhar...
lágrimas escorrem.
Ela lambe o gelo. E bebe para matar a sua sede que não cessa jamais.
A mulher volta ao seu leito e se deleita com palavras/imagens escritas na hora.
Elas são sua vida. São a sua forma de procurar e de esperar.
Thaís de Almeida Prado para a Adormecida da mala nº 40
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sábado, 17 de maio de 2008
Mas Não ou Perguntas Idiotas Merecem uma morte Rápida
Toc toc toc..
alguém bateu...
Ela bateu.
Ela anda perdida.
Não vê razão para se encontrar.
Ela espera por um caminho
mas não faz idéia de como chegar.
Sem andar,
ela pode paralisar.
Começa a contar para não se perder...
tem 15 são 10! falta um
ela se perde...
tenta se organizar...
tudo milimetricamente colocado.
Tudo em seu lugar.
Mas tudo parece fora do lugar
meu lugar...
seu lugar
eu lugar
para um lugar.
Ela busca nas palavras soltas de uma velha senhora, uma compreensão de onde está.
palavras soltas não tão soltas,
palavras soltas bem presas,
porque a senhora as prende com presteza.
Ela tentava rimar...
linhas iguais...
uma métrica.
mas ela se perdia...
e se perdia cada vez mais.
- Ela não sabe rimar.
Ela diz que sabe de tudo,
Mas não
No desespero de se encontrar
ela descobre onde procurar.
existe uma luz.
uma luz em um casulo.
um casulo que a devora
as pessoas são sádicas
e ela também
ela espera sua vez para poder funcionar.
ela segue as linhas
toc toc toc
precisa contar até três
toc toc toc
passos por perto
uma música a amedronta.
a música é a pílula.
a pílula são perguntas.
perguntas de respostas fáceis
fáceis por demais.
ela depende dos outros
respostas de outros
por não saber mais como chegar
ela pede
ela reclama
ela....
piiiiiiiiiii
deu pane
ela está desidratada.
escuta-se sons.
crianças, velhas, jovens...
todos falam.
todos andam.
se mexem
todos todos todos
todos os dias ela se repete
repete tudo de novo
todos os dias ela se esquece...
e esquece mais um pouco.
está só...
tem um corpo.
o corpo não sabe o que faz.
ela não sabe o que Corpo faz.
ela faz o que corpo faz.
gertrude
gertrudes
uma rainha e um príncipe bobo
príncipe louco...
perdeu a razão do tempo
tempo com razão?
qual é a razão do tempo?
tempo 1
estou parada e respiro em dois tempos
tempo 2
conto quanto tempo o tempo tem
fora do tempo
tempo 3
observo eu e eu e eu e eu novamente falo.
tempo 4
acho que sei onde estou
tempo 5
onde estou mesmo?
tempo 6
eles estão por toda parte.
eles estão lá, estão aqui...
o corpo filho doutro NADA MEU
tempo 7
abortar
operação abortada
tempo 8
o general gosta
a luz
meu corpo contém clara de ovo
tempo 9
escrever escrever escrever e não precisar saber o porquê
tempo 10
tudo disso
nada disso
onde estou?
onde vou?
vou de novo
vôo de novo para quedar-me com calma.
recomeço
Nesses caminhos os começos começam
começo começado
começar agora
nesses caminhos as trocas são extemporâneas.
se recomecei, onde foi que comecei?
onde foi que parei?
parei com calma, mas não...
mas não estava com calma porque de onde estava não se tinha calma
estava onde o tempo faz a curva (isso foi uma inserção da minha cabeça, não deveria parar por aqui.)
curva
onde foi que parei?
sim, tropecei
repeti o começo do recomeçado. do irrecomeçado
ele estava assado em alguma parte daqui.
Comi.
acho que foram as pílulas.
a música
as perguntas
as respostas fáceis
pronto
1 2 3
preciso contar
são 5 e tem 6 falta 1
porque sempre falta um?
falta um até quando passo da conta.
sempre falta 1 até com 10, quando são 7 e 20 quando são 5
falta 1
novamente um.
como o jogo onde sempre falta 1.
resta 1
quantos faltam agora?
falta aquele que não me conta onde está a parte que me falta
a parte ou as partes
à parte
eu sempre digo
à parte:
- um solilóquio ambulante
você já viu as pessoas que andam por aí?
elas andam me falando coisas
andam me fazendo parar.
estática
estava eu alí
olhando para eu e para eu e não entendia nada do que dizia
você já viu uma mulher que fala o que não fala sem entender
sim...
oh sim
sim sim
e sim mais uma vez para deixar bem claro o que eu deveria dizer.
sim.
acho que é isso,
entende?
eu deveria dizer que sim a todo custo para não dizer não.
muito simples.
não não pode
já vi que não posso mais parar.
não posso...
o corpo dura muito tempo ainda...
existe muita clara no meu ovo.
ela é toda transparente, mas ainda não cheira podre.
podre não pode.
ainda cristalina.
quando você mexe a sua clara de ovo...
os movimentos ficam mais fáceis...
pois bem... estava eu aqui fazendo meus movimentos
e então apareceu alguém que colocou uma música irritante...
irritante...
onde foi mesmo que eu queria chegar?
queria chegar em algum lugar para parar.
não paro para parar.
assim fico com falta de ar.
como uma flauta que não toca...
sim, flauta se toca com ar.
com sopro, entende?
você poderia me soprar?
poderia me inflar e voar talvez...
talvez...
mas não agora...
mas não
not now
alguém bateu...
Ela bateu.
Ela anda perdida.
Não vê razão para se encontrar.
Ela espera por um caminho
mas não faz idéia de como chegar.
Sem andar,
ela pode paralisar.
Começa a contar para não se perder...
tem 15 são 10! falta um
ela se perde...
tenta se organizar...
tudo milimetricamente colocado.
Tudo em seu lugar.
Mas tudo parece fora do lugar
meu lugar...
seu lugar
eu lugar
para um lugar.
Ela busca nas palavras soltas de uma velha senhora, uma compreensão de onde está.
palavras soltas não tão soltas,
palavras soltas bem presas,
porque a senhora as prende com presteza.
Ela tentava rimar...
linhas iguais...
uma métrica.
mas ela se perdia...
e se perdia cada vez mais.
- Ela não sabe rimar.
Ela diz que sabe de tudo,
Mas não
No desespero de se encontrar
ela descobre onde procurar.
existe uma luz.
uma luz em um casulo.
um casulo que a devora
as pessoas são sádicas
e ela também
ela espera sua vez para poder funcionar.
ela segue as linhas
toc toc toc
precisa contar até três
toc toc toc
passos por perto
uma música a amedronta.
a música é a pílula.
a pílula são perguntas.
perguntas de respostas fáceis
fáceis por demais.
ela depende dos outros
respostas de outros
por não saber mais como chegar
ela pede
ela reclama
ela....
piiiiiiiiiii
deu pane
PRIMEIRA PANE
ela está desidratada.
escuta-se sons.
crianças, velhas, jovens...
todos falam.
todos andam.
se mexem
todos todos todos
todos os dias ela se repete
repete tudo de novo
todos os dias ela se esquece...
e esquece mais um pouco.
está só...
tem um corpo.
o corpo não sabe o que faz.
ela não sabe o que Corpo faz.
ela faz o que corpo faz.
gertrude
gertrudes
uma rainha e um príncipe bobo
príncipe louco...
perdeu a razão do tempo
tempo com razão?
qual é a razão do tempo?
tempo 1
estou parada e respiro em dois tempos
tempo 2
conto quanto tempo o tempo tem
fora do tempo
tempo 3
observo eu e eu e eu e eu novamente falo.
tempo 4
acho que sei onde estou
tempo 5
onde estou mesmo?
tempo 6
eles estão por toda parte.
eles estão lá, estão aqui...
o corpo filho doutro NADA MEU
tempo 7
abortar
operação abortada
tempo 8
o general gosta
a luz
meu corpo contém clara de ovo
tempo 9
escrever escrever escrever e não precisar saber o porquê
tempo 10
tudo disso
nada disso
onde estou?
onde vou?
vou de novo
vôo de novo para quedar-me com calma.
FIM DA PRIMEIRA PANE
recomeço
Nesses caminhos os começos começam
começo começado
começar agora
nesses caminhos as trocas são extemporâneas.
se recomecei, onde foi que comecei?
onde foi que parei?
parei com calma, mas não...
mas não estava com calma porque de onde estava não se tinha calma
estava onde o tempo faz a curva (isso foi uma inserção da minha cabeça, não deveria parar por aqui.)
curva
onde foi que parei?
sim, tropecei
repeti o começo do recomeçado. do irrecomeçado
ele estava assado em alguma parte daqui.
Comi.
acho que foram as pílulas.
a música
as perguntas
as respostas fáceis
pronto
1 2 3
preciso contar
são 5 e tem 6 falta 1
porque sempre falta um?
falta um até quando passo da conta.
sempre falta 1 até com 10, quando são 7 e 20 quando são 5
falta 1
novamente um.
como o jogo onde sempre falta 1.
resta 1
quantos faltam agora?
falta aquele que não me conta onde está a parte que me falta
a parte ou as partes
à parte
eu sempre digo
à parte:
- um solilóquio ambulante
você já viu as pessoas que andam por aí?
elas andam me falando coisas
andam me fazendo parar.
estática
estava eu alí
olhando para eu e para eu e não entendia nada do que dizia
você já viu uma mulher que fala o que não fala sem entender
sim...
oh sim
sim sim
e sim mais uma vez para deixar bem claro o que eu deveria dizer.
sim.
acho que é isso,
entende?
eu deveria dizer que sim a todo custo para não dizer não.
muito simples.
não não pode
já vi que não posso mais parar.
não posso...
o corpo dura muito tempo ainda...
existe muita clara no meu ovo.
ela é toda transparente, mas ainda não cheira podre.
podre não pode.
ainda cristalina.
quando você mexe a sua clara de ovo...
os movimentos ficam mais fáceis...
pois bem... estava eu aqui fazendo meus movimentos
e então apareceu alguém que colocou uma música irritante...
irritante...
onde foi mesmo que eu queria chegar?
queria chegar em algum lugar para parar.
não paro para parar.
assim fico com falta de ar.
como uma flauta que não toca...
sim, flauta se toca com ar.
com sopro, entende?
você poderia me soprar?
poderia me inflar e voar talvez...
talvez...
mas não agora...
mas não
not now
Thaís de Almeida Prado para ...Mas Não
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Thaís Almeida Prado ou ...e então, eu abri meus olhos...
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terça-feira, 29 de abril de 2008
um caderno para respirar...
.
.
.
São Paulo, 29 de Abril,
uma madrugada chuvosa e fria...
eu a espreita...
eu relato...
desisto.
tento novamente e desisto por fim.
.
.
Ainda me identifico mais com meu caderninho ao Blog...
lá eu ponho o tato, o cheiro, o som, as cores e as rasuras que acontecem no momento da minha escritafluxo.
aqui eu apago, deixo mais limpo... não deixo espaços em branco...
não deixo pausas de uma respiração... apago... e apago novamente, e me corrijo e me concerto...
concerto o que seria o meu melhor desconcerto.
o Blog ainda não é meu caderno de notas, e acho que não será... serão notas passadas a limpo...
notas reordenadas... notas sem desenho, sem linhas tortas e avessas...
notas sem o tal frescor do meu caderninho...
.
.
.
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.
.
espaços
espaços
espaços
e mais espaços...
assim me sou
.
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São Paulo, 29 de Abril,
uma madrugada chuvosa e fria...
eu a espreita...
eu relato...
desisto.
tento novamente e desisto por fim.
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Ainda me identifico mais com meu caderninho ao Blog...
lá eu ponho o tato, o cheiro, o som, as cores e as rasuras que acontecem no momento da minha escritafluxo.
aqui eu apago, deixo mais limpo... não deixo espaços em branco...
não deixo pausas de uma respiração... apago... e apago novamente, e me corrijo e me concerto...
concerto o que seria o meu melhor desconcerto.
o Blog ainda não é meu caderno de notas, e acho que não será... serão notas passadas a limpo...
notas reordenadas... notas sem desenho, sem linhas tortas e avessas...
notas sem o tal frescor do meu caderninho...
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e mais espaços...
assim me sou
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Sobre a Queda ou A vontade de se Levantar
.Cair.
Uma complexidade de movimentos.
Quedar-se é bom quando se deixa largar.
é menos doloroso quando se relaxa.
Cair para aprender a se levantar.
Meu prazer pela queda talvez tenha surgido quando era uma criança que gostava de pular.
Uma queda, aos dois anos, deixou minha primeira cicatriz.
Uma cicatriz causada por cacos de vidro da minha mamadeira, sim, acreditem.
Pulei na cadeira e cai. O chão verde. Pessoas a minha volta.Acho que nem doeu. As pessoas se doeram por mim.
Senti o contato da minha pele com o chão verde. meus ossos e músculos também estavam lá. Havia sangue. um sangue bem vermelho de quem ainda não viveu muito.
O grito não era de dor, era de descoberta. uma nova sensação. algo que desconhecia.
Meu corpo no chão aterrado. aterrado para voar. Voar longe.
Para saltar e se largar. Sem saber exatamente como e onde cair.
Sem olhar para baixo.
Simplesmente ir.
Thaís de Almeida Prado
10 de dezembro de 2007
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Thaís Almeida Prado ou ...e então, eu abri meus olhos...
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quinta-feira, 13 de setembro de 2007
O Acordo sob Experimentos para o "Experimento do Acordo"
Carta da Thaís para o público
(Thaís pisa em ovos Thaís cai em ovos)
“Relatório sobre a queda do Ovo. A Queda do Vôo do Ovo. A língua morta da história. A língua de Vidro. Os Cascos da casca do Vôo de um Ovo.
Ou
Acho que tinha alguma relação com a Queda“.
Pode começar na terceira pessoa, assim: Era uma vez, uma menina que pulava muito. Ela gostava de pular, ela. Um dia ela caiu e bateu a cabeça. Cortou-se com os cacos de vidro de sua mamadeira. Suas imagens fragmentos de uma Queda: um chão de ladrilhos verdes, pessoas à sua volta. Espera, espera, essa não é a mesma menina que tinha como sua melhor amiga sua própria imagem refletida na máquina de lavar louça e que tentou se matar tomando detergente com café? não é a mesma menina que ao tentar ajudar sua irmã com o corte dos cabelos cortou sua orelha junto? Não é a mesma menina que bateu com a cabeça na banheira e levou cinco pontos?
Que menina? Não sei.
“Alguém ajuda a menina!?”
A Menina!? A Me Ni Na!?
vejamos, talvez ela seja melhor na primeira pessoa
Então abri os olhos no chão duro e aconchegante e comecei a sentir dores, examinei-me e vi que os meus braços, as minhas mãos, estavam cheias de pequenos cacos de vidro, o pescoço e a cabeça estariam nas mesmas condições porque a sensação de dor e ardor de DOR e ARDOR também se estendia por essas partes. Lembrei-me das línguas de vidro, as línguas de vidro mortas que não são mortas, são matadas, e arrependi-me de não ter tomado precauções.
Por favor, meu senhor, uma pinça! (loooooooooooooooongo silêncio).
Olhe, é para tirar esses pequenos cacos de vidro, eles me incomodam muito, olhe, olhe!
Ingenuidade de aço,
Mostrando o que é possível
Tento acompanhá-los, mas meus pés de carne não têm equilíbrio, escorrego várias vezes, levanto-me, sempre perguntando: vocês se lembram? Agora consegui manter-me em pé, caminho vagarosamente, abro os braços como se estivesse afastando uma multidão e somente assim consigo equilibrar-me. Cada passo é feito de suor, os dedos dos pés se encolhem tentando agarrar o chão mas de repente caio com incrível estrondo. Eles movimentam as grandes cabeças peludas. Os empregados trazem o microfone. Grito: Consultem aí os seus computadores, seus aviões, suas sentinelas eletrônicas, as suas mães também e vejam o que é possível fazer num caso de emergência.
(UM NADA SE APOSSA DO ESPAÇO)
Eu O Nível do Solo
Suficientemente Imóveis
Imóveis
Levanto-me suando em bicas, as claras do ovo escorrendo assim como minhas articulações tentam escorrer, sento-me, escondo os meus pés, insustentável, instável, a minha roupa está inteiramente molhada, a clara escorre pelos joelhos, encharca os sapatosbota, eu ajeito meus cabelos, tento sorrir. Alguma substancia ainda resta. Faço um gesto tímido – a mão esquerda quase junto ao ouvido – sabe, estou tentado dizer alô!
SHIUUU!
“OS filhotes dos coelhos ao nascerem são pelados e cegos. Os filhotes das lebres ao nascerem são peludos e aptos a cuidar de si mesmos. Este fato aparentemente estranho tem embasamento: os coelhos têm seus ninhos nas tocas profundas e as lebres têm seus ninhos na superfície exposta do solo. Sejamos lebres e portanto astutos. Das profundezas só nos interessa o nosso amado produto.
E você? Eu? Era como se não estivesse mais ali. era uma lebre morta. Mas não a lebre astuta. A lebre coelho que nasce do buraco profundo. A lebre-coelho morta que escuta histórias de uma avó adormecida. Um segredo talvez.
Você já ouviu o barulho de uma bomba de cobalto?
Entoem o Tatotalmente Irreconhecível!
“Durante mil anos, tudo caiu de cima para baixo, com exceção dos pássaros”. Você já ouviu o barulho de uma bomba de cobalto?
Agora Parou
Alguém Diz: -“a sarna de coelhos é uma afecção da pele causada por parasitas acarianos da família sarcoptide. É uma enfermidade contagiosa e os coelhos que apresentam a sarna em estado muito avançado devem ser sacrificados.”
O lugar emudeceu.
Desde hoje de manhã o hálito da menina está podre.
Seu corpo se decompõe. Seu rosto que nos era familiar, já se torna desconhecido. Sua voz no lugar de sempre
Sua Voz
Não sai.
Antes de tudo a desordem.
Sobre este corpo que já esfria, investigaremos se o homem costuma ajudar o homem.
Ei menina, Você não quer lutar, você quer existir sob proteção de uma memória-história, e ao mesmo tempo ficar no seu canto.
Vocêmorrerádequalquerjeito.suavidaéarrancadaseuméritoéapagado.vocêmorreráporsimesma.ninguémolharáparavocê.finalmentevocêmorreráeassimtambém.nósmorreremos
Eu não interrompi o discurso apesar de terem cuspido vidro em todas as partes do meu corpo... nesse momento senti as plantas dos meus PÉS cheias de sangue.
Olhem o que vocês me fizeram, olhem os cacos de vidro no meu corpo!
Você não está enxergando bem. Nós já lhe dissemos queridinha. É a sarna de coelho formada pelos restos dos ovos que você quebrou quando caiu.
OVO.
Ele só tinha UM.
AH, como eu desejaria ser uma só, como seria bom ser inteirissa, fazer-me entender, ter uma linguagem simples como um ovo. Um ovo é simples, a casca por fora, a gema e a clara por dentro. Mas acho que eu sou o de dentro... estou dentro do que vê.
Mas Você não Vê que um ovo é uma coisa complicadíssima? e diria a dona Clarice de olhos puxados que O ovo não tem um si-mesmo. Individualmente ele não existe.
Ah é? Então eu gostaria de falar assim: ela é uma só, mas na verdade ela é três e muito mais.
Eu... estava pensando que este relato é muito fragmentado...
Mas será que não existe um outro jeito de conseguir o que queremos?
Entregue,
tudo
o que lhe permitiu voar, tudo
o que construiu.
Abandone
Eu não voei por nada nem por ninguém voei por voar eu gosto tanto de voar eu vôo todas as noites por aí e depois fico pousada naquela árvore mais bonita da pracinha. Ninguém me espera, eu
Não vôo em sua direção,eu
Vôo para me afastar de vocês.
Eu sonho.
E o sonho torna-se angustiante porque ele já viu toda a paisagem, há montanhas, rios, árvores, diferentes espécies de animais e ele sente que tudo isso é apenas uma pequena parte de um mundo novo. E ele não quer voar mais alto, e sim que o MURO fique mais alto, ele nem pensa em ter asas porque ele agora é um Rato. Ele bateu com a cabeça na mureta e caiu planando. Mais cinco pontos. Em quem? Na menina? Olha, não entendo mais nada... é rato, é coelho-lebre, é bicho que voa e não te asas, afinal, o que é?
Escute, você sabe que os animais têm alma? E que a alma de um animal quando se desprende do corpo vai para um lugar muito bonito e fica ali durante algum tempo, conforme a afeição do seu antigo dono?
Quando ele é chamado ele nasce
quando ele é transformado ele existe. Existir é sentir dor, existir não é ficar ao sol imóvel, é morrer a cada dia, abandonar
Se é que ele existiu...
Existiu.
Ele era o que?
Uma menina pequena
Ele era o que?
Um coelho-lebre que nasceu do buraco profundo.
Ele era o que?
Um rato planador.
Ele era o que?
Não era ninguém.
Se é que ele era alguém
Não era ninguém.
E apesar de tudo não era ninguém.
Eu... estava pensando que este relato é muito fragmentado...
Antes de tudo a desordem.
Qual o desfecho?
A tua morte, a morte do companheiro seria vitória da malignidade. Não, não mate o rosto limpo do companheiro. A minha morte esta bem. A minha morte.
Sabe, uma história deve ter mil faces, é assim como se você colocasse um coiote dentro de um prisma. Um coiote? É, um lobo. Eles são tão inteligentes, eu dizia para o meu companheiro. Quem o coiote? O aviador! Ei, Você não ficaria desconfiado de todos se tivesse o coração exposto e não por dentro da caixa torácica? A qualquer momento alguém podia comer seu coração. Podia. Os coiotes podem comer meu coração. A menina então se deitou sobre a terra, respirou, respirou. Depois os coiotes se deitaram em cima dela e ficaram ali até que o corpo apodrecesse. uma menina abandonada que desejou ser amada e que enfeitou a cara do coiote. Aquele que morre abandona o que? Abandonará tudo aquilo que possui e o que não possui? Olha, olha! A morte não tem rosto, eu transpiro.
Havia certas tardes de silêncio, onde o respirar se fazia doloroso, e nós nos dávamos às mãos, vocês se lembram?”
Shiuuuuu...
São as vozes dos mortos. Eles estão dizendo: não há nada a fazer, deixa cair a chuva sobre a carne, chora, chora.
E meu coração continua exposto...
A menina diz um poema em voz baixa: se eu pudesse trocar esse meu corpo por um corpo de um coiote/ se eu pudesse ser mais voraz/ se eu pudesse ter garras como estiletes/ se eu pudesse ser de feltro/ se eu soubesse de um só caminho de sangue...shiu... Eu não quero mais ouvir, eu quero que você me abrace, depressa.
(Thaís pisa em ovos Thaís cai em ovos)
“Relatório sobre a queda do Ovo. A Queda do Vôo do Ovo. A língua morta da história. A língua de Vidro. Os Cascos da casca do Vôo de um Ovo.
Ou
Acho que tinha alguma relação com a Queda“.
Pode começar na terceira pessoa, assim: Era uma vez, uma menina que pulava muito. Ela gostava de pular, ela. Um dia ela caiu e bateu a cabeça. Cortou-se com os cacos de vidro de sua mamadeira. Suas imagens fragmentos de uma Queda: um chão de ladrilhos verdes, pessoas à sua volta. Espera, espera, essa não é a mesma menina que tinha como sua melhor amiga sua própria imagem refletida na máquina de lavar louça e que tentou se matar tomando detergente com café? não é a mesma menina que ao tentar ajudar sua irmã com o corte dos cabelos cortou sua orelha junto? Não é a mesma menina que bateu com a cabeça na banheira e levou cinco pontos?
Que menina? Não sei.
“Alguém ajuda a menina!?”
A Menina!? A Me Ni Na!?
vejamos, talvez ela seja melhor na primeira pessoa
Então abri os olhos no chão duro e aconchegante e comecei a sentir dores, examinei-me e vi que os meus braços, as minhas mãos, estavam cheias de pequenos cacos de vidro, o pescoço e a cabeça estariam nas mesmas condições porque a sensação de dor e ardor de DOR e ARDOR também se estendia por essas partes. Lembrei-me das línguas de vidro, as línguas de vidro mortas que não são mortas, são matadas, e arrependi-me de não ter tomado precauções.
Por favor, meu senhor, uma pinça! (loooooooooooooooongo silêncio).
Olhe, é para tirar esses pequenos cacos de vidro, eles me incomodam muito, olhe, olhe!
Ingenuidade de aço,
Mostrando o que é possível
Tento acompanhá-los, mas meus pés de carne não têm equilíbrio, escorrego várias vezes, levanto-me, sempre perguntando: vocês se lembram? Agora consegui manter-me em pé, caminho vagarosamente, abro os braços como se estivesse afastando uma multidão e somente assim consigo equilibrar-me. Cada passo é feito de suor, os dedos dos pés se encolhem tentando agarrar o chão mas de repente caio com incrível estrondo. Eles movimentam as grandes cabeças peludas. Os empregados trazem o microfone. Grito: Consultem aí os seus computadores, seus aviões, suas sentinelas eletrônicas, as suas mães também e vejam o que é possível fazer num caso de emergência.
(UM NADA SE APOSSA DO ESPAÇO)
Eu O Nível do Solo
Suficientemente Imóveis
Imóveis
Levanto-me suando em bicas, as claras do ovo escorrendo assim como minhas articulações tentam escorrer, sento-me, escondo os meus pés, insustentável, instável, a minha roupa está inteiramente molhada, a clara escorre pelos joelhos, encharca os sapatosbota, eu ajeito meus cabelos, tento sorrir. Alguma substancia ainda resta. Faço um gesto tímido – a mão esquerda quase junto ao ouvido – sabe, estou tentado dizer alô!
SHIUUU!
“OS filhotes dos coelhos ao nascerem são pelados e cegos. Os filhotes das lebres ao nascerem são peludos e aptos a cuidar de si mesmos. Este fato aparentemente estranho tem embasamento: os coelhos têm seus ninhos nas tocas profundas e as lebres têm seus ninhos na superfície exposta do solo. Sejamos lebres e portanto astutos. Das profundezas só nos interessa o nosso amado produto.
E você? Eu? Era como se não estivesse mais ali. era uma lebre morta. Mas não a lebre astuta. A lebre coelho que nasce do buraco profundo. A lebre-coelho morta que escuta histórias de uma avó adormecida. Um segredo talvez.
Você já ouviu o barulho de uma bomba de cobalto?
Entoem o Tatotalmente Irreconhecível!
“Durante mil anos, tudo caiu de cima para baixo, com exceção dos pássaros”. Você já ouviu o barulho de uma bomba de cobalto?
Agora Parou
Alguém Diz: -“a sarna de coelhos é uma afecção da pele causada por parasitas acarianos da família sarcoptide. É uma enfermidade contagiosa e os coelhos que apresentam a sarna em estado muito avançado devem ser sacrificados.”
O lugar emudeceu.
Desde hoje de manhã o hálito da menina está podre.
Seu corpo se decompõe. Seu rosto que nos era familiar, já se torna desconhecido. Sua voz no lugar de sempre
Sua Voz
Não sai.
Antes de tudo a desordem.
Sobre este corpo que já esfria, investigaremos se o homem costuma ajudar o homem.
Ei menina, Você não quer lutar, você quer existir sob proteção de uma memória-história, e ao mesmo tempo ficar no seu canto.
Vocêmorrerádequalquerjeito.suavidaéarrancadaseuméritoéapagado.vocêmorreráporsimesma.ninguémolharáparavocê.finalmentevocêmorreráeassimtambém.nósmorreremos
Eu não interrompi o discurso apesar de terem cuspido vidro em todas as partes do meu corpo... nesse momento senti as plantas dos meus PÉS cheias de sangue.
Olhem o que vocês me fizeram, olhem os cacos de vidro no meu corpo!
Você não está enxergando bem. Nós já lhe dissemos queridinha. É a sarna de coelho formada pelos restos dos ovos que você quebrou quando caiu.
OVO.
Ele só tinha UM.
AH, como eu desejaria ser uma só, como seria bom ser inteirissa, fazer-me entender, ter uma linguagem simples como um ovo. Um ovo é simples, a casca por fora, a gema e a clara por dentro. Mas acho que eu sou o de dentro... estou dentro do que vê.
Mas Você não Vê que um ovo é uma coisa complicadíssima? e diria a dona Clarice de olhos puxados que O ovo não tem um si-mesmo. Individualmente ele não existe.
Ah é? Então eu gostaria de falar assim: ela é uma só, mas na verdade ela é três e muito mais.
Eu... estava pensando que este relato é muito fragmentado...
Mas será que não existe um outro jeito de conseguir o que queremos?
Entregue,
tudo
o que lhe permitiu voar, tudo
o que construiu.
Abandone
Eu não voei por nada nem por ninguém voei por voar eu gosto tanto de voar eu vôo todas as noites por aí e depois fico pousada naquela árvore mais bonita da pracinha. Ninguém me espera, eu
Não vôo em sua direção,eu
Vôo para me afastar de vocês.
Eu sonho.
E o sonho torna-se angustiante porque ele já viu toda a paisagem, há montanhas, rios, árvores, diferentes espécies de animais e ele sente que tudo isso é apenas uma pequena parte de um mundo novo. E ele não quer voar mais alto, e sim que o MURO fique mais alto, ele nem pensa em ter asas porque ele agora é um Rato. Ele bateu com a cabeça na mureta e caiu planando. Mais cinco pontos. Em quem? Na menina? Olha, não entendo mais nada... é rato, é coelho-lebre, é bicho que voa e não te asas, afinal, o que é?
Escute, você sabe que os animais têm alma? E que a alma de um animal quando se desprende do corpo vai para um lugar muito bonito e fica ali durante algum tempo, conforme a afeição do seu antigo dono?
Quando ele é chamado ele nasce
quando ele é transformado ele existe. Existir é sentir dor, existir não é ficar ao sol imóvel, é morrer a cada dia, abandonar
Se é que ele existiu...
Existiu.
Ele era o que?
Uma menina pequena
Ele era o que?
Um coelho-lebre que nasceu do buraco profundo.
Ele era o que?
Um rato planador.
Ele era o que?
Não era ninguém.
Se é que ele era alguém
Não era ninguém.
E apesar de tudo não era ninguém.
Eu... estava pensando que este relato é muito fragmentado...
Antes de tudo a desordem.
Qual o desfecho?
A tua morte, a morte do companheiro seria vitória da malignidade. Não, não mate o rosto limpo do companheiro. A minha morte esta bem. A minha morte.
Sabe, uma história deve ter mil faces, é assim como se você colocasse um coiote dentro de um prisma. Um coiote? É, um lobo. Eles são tão inteligentes, eu dizia para o meu companheiro. Quem o coiote? O aviador! Ei, Você não ficaria desconfiado de todos se tivesse o coração exposto e não por dentro da caixa torácica? A qualquer momento alguém podia comer seu coração. Podia. Os coiotes podem comer meu coração. A menina então se deitou sobre a terra, respirou, respirou. Depois os coiotes se deitaram em cima dela e ficaram ali até que o corpo apodrecesse. uma menina abandonada que desejou ser amada e que enfeitou a cara do coiote. Aquele que morre abandona o que? Abandonará tudo aquilo que possui e o que não possui? Olha, olha! A morte não tem rosto, eu transpiro.
Havia certas tardes de silêncio, onde o respirar se fazia doloroso, e nós nos dávamos às mãos, vocês se lembram?”
Shiuuuuu...
São as vozes dos mortos. Eles estão dizendo: não há nada a fazer, deixa cair a chuva sobre a carne, chora, chora.
E meu coração continua exposto...
A menina diz um poema em voz baixa: se eu pudesse trocar esse meu corpo por um corpo de um coiote/ se eu pudesse ser mais voraz/ se eu pudesse ter garras como estiletes/ se eu pudesse ser de feltro/ se eu soubesse de um só caminho de sangue...shiu... Eu não quero mais ouvir, eu quero que você me abrace, depressa.
Thaís de Almeida Prado e vozes de
Bertold Brecht, Hilda Hilst, Joseph Beuys, Dedé Pacheco, Caetano Gotardo e Clarice L.
Texto escrito para "O Experimento do Acordo", parte do Mestrado de Dedé Pacheco.
13 de setembro de 2007
Bertold Brecht, Hilda Hilst, Joseph Beuys, Dedé Pacheco, Caetano Gotardo e Clarice L.
Texto escrito para "O Experimento do Acordo", parte do Mestrado de Dedé Pacheco.
13 de setembro de 2007
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Thaís Almeida Prado ou ...e então, eu abri meus olhos...
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terça-feira, 14 de agosto de 2007
Ancestralidade, tradição e modernidade. Ou como aprendi a cortar cebolas com minha avó.
.
.
.
Um fluxo de texto:
Fiz este vatapá para a minha avó. trouxe ela para a cozinha várias vezes,
relembrando seus ensinamentos culinários. A contadora de causos VÓ, que era neta de Mathilde, uma soteropolitana filha de uma holandesa, casada aos 12 anos de idade, que se escondeu debaixo da cama na noite de núpcias, que gostava de muita pimenta e era uma mulher severa de olhos verdes profundos e dilaceradores, isso segundo sua neta Esther, que também tinha olhos verdes, profundos, uma sonhadora, uma romântica que adorava dançar.
a neta Thaís fez um vatapá de despedidas. mas não deu tempo da vó comer, ela se foi um mês depois... para algum lugar que a neta Thaís ainda não conheceu.
Uma base que não é mais base, é história, é memória. Ou talvez justamente por isso seja uma base. a minha base. de onde tudo começou.
Minha vó que como sua avó gostava de pimenta bem forte me deixa os ensinamentos, as lembranças e as saudades.
.
.
.
"""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""".
.
.
Alguns meses depois escrevo sobre a experiencia do Vatapá, no projeto Culinária Teatral.
Algumas imagens:
Maria Thaís colocando um pedaço de pão na boca de cada um. Como uma hóstia
dentro de um inicio de ritual.
E o começo é a base.
As pernas. O pão para amassar. MOER.
Ingredientes:
*discutir teatro enquanto se moe o camarão e o amendoim. biomecânicas de ummoedor de carnes. torções.
*jogar o coco longe. ver onde caiu. correr até ele. tirar o branco de dentro.
*ralar coco enquanto se canta.
um grupo/conjunto- trocas e olhares.
*danças brasileiras. "é preciso ralar, minha gente!"
*momentos réptil - felino - primata - águia
*cerveja- vodka-
pinga não pode!
lá não pode.
*Base - suspensão- pés no chão- saltos- cantos - torções - neutro.
À receita:
*Deixar o pão endurecer durante a semana de treino. usar a base: pernas.
*moer o camarão seco, o amendoim, e a castanha de caju (pode comer umas quando ficar com vontade). Força nos braços. torção, rotação, arremesso.
perceber onde cai.
as castanhas sempre caem!
*fazer o leite de coco: [QUEBRE O COCO RALE O COCO]. chacoalhe o quadril. Bata com os pés no chão, mandingueiro e salte bem alto. volte para a terra firme novamente.
*colocar o coco ralado em um panelão e deixar o caldo soltar. pegar as raspas desse coco e colocar num tecido branco e limpo. uma máscara tão branca quanto o coco. torcer o que sair de essencial, só o líquido necessário. LEITE, sem excessos.
*molhar o pães endurecidos, amadurecidos no leite de coco.
*moer o pão molhado.
*Não esquecer o peixe fresco para fazer o pirão. a sustância. Deixar
cozinhando... sempre retomar a colher e mexer quando puder. mudanças são necessárias. Não abandone o peixe.
*canjica cozida, moída e bem bolada de tira gosto.
*banho de ervas para começar a cozinhar. Boas viandas aos orixás Arruda,
Manjericão, Melissa, etc...
AH! os restos das raspas do coco, viram cocada.
As misturas:
Misturar o pão moído no resto do leite de coco. Juntar o camarão seco, as
castanhas e o amendoim (mexer). Juntar o peixe que está quase dissolvido.
falta mais alguma coisa, não?
cortar o tomate, cebola, pimentão e a pimenta de cheiro como minha avó Esther cortaria.
Experimentar e ver se tem gosto.
juntar o azeite de dendê por último e mexer na panela sem parar até dar
ponto. quem conduz define qual é o ponto.
Deixar para comer no dia seguinte. é mais gostoso. é mais curtido
Comer. degustar.
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Um fluxo de texto:
Ancestralidade, tradição e modernidade.
Ou como aprendi a cortar cebolas com minha avó.
Ou como aprendi a cortar cebolas com minha avó.
Fiz este vatapá para a minha avó. trouxe ela para a cozinha várias vezes,
relembrando seus ensinamentos culinários. A contadora de causos VÓ, que era neta de Mathilde, uma soteropolitana filha de uma holandesa, casada aos 12 anos de idade, que se escondeu debaixo da cama na noite de núpcias, que gostava de muita pimenta e era uma mulher severa de olhos verdes profundos e dilaceradores, isso segundo sua neta Esther, que também tinha olhos verdes, profundos, uma sonhadora, uma romântica que adorava dançar.
a neta Thaís fez um vatapá de despedidas. mas não deu tempo da vó comer, ela se foi um mês depois... para algum lugar que a neta Thaís ainda não conheceu.
Uma base que não é mais base, é história, é memória. Ou talvez justamente por isso seja uma base. a minha base. de onde tudo começou.
Minha vó que como sua avó gostava de pimenta bem forte me deixa os ensinamentos, as lembranças e as saudades.
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"""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""".
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Escritura de um vatapá
Alguns meses depois escrevo sobre a experiencia do Vatapá, no projeto Culinária Teatral.
Algumas imagens:
Maria Thaís colocando um pedaço de pão na boca de cada um. Como uma hóstia
dentro de um inicio de ritual.
E o começo é a base.
As pernas. O pão para amassar. MOER.
Ingredientes:
*discutir teatro enquanto se moe o camarão e o amendoim. biomecânicas de ummoedor de carnes. torções.
*jogar o coco longe. ver onde caiu. correr até ele. tirar o branco de dentro.
*ralar coco enquanto se canta.
um grupo/conjunto- trocas e olhares.
*danças brasileiras. "é preciso ralar, minha gente!"
*momentos réptil - felino - primata - águia
*cerveja- vodka-
pinga não pode!
lá não pode.
*Base - suspensão- pés no chão- saltos- cantos - torções - neutro.
À receita:
*Deixar o pão endurecer durante a semana de treino. usar a base: pernas.
*moer o camarão seco, o amendoim, e a castanha de caju (pode comer umas quando ficar com vontade). Força nos braços. torção, rotação, arremesso.
perceber onde cai.
as castanhas sempre caem!
*fazer o leite de coco: [QUEBRE O COCO RALE O COCO]. chacoalhe o quadril. Bata com os pés no chão, mandingueiro e salte bem alto. volte para a terra firme novamente.
*colocar o coco ralado em um panelão e deixar o caldo soltar. pegar as raspas desse coco e colocar num tecido branco e limpo. uma máscara tão branca quanto o coco. torcer o que sair de essencial, só o líquido necessário. LEITE, sem excessos.
*molhar o pães endurecidos, amadurecidos no leite de coco.
*moer o pão molhado.
*Não esquecer o peixe fresco para fazer o pirão. a sustância. Deixar
cozinhando... sempre retomar a colher e mexer quando puder. mudanças são necessárias. Não abandone o peixe.
*canjica cozida, moída e bem bolada de tira gosto.
*banho de ervas para começar a cozinhar. Boas viandas aos orixás Arruda,
Manjericão, Melissa, etc...
AH! os restos das raspas do coco, viram cocada.
As misturas:
Misturar o pão moído no resto do leite de coco. Juntar o camarão seco, as
castanhas e o amendoim (mexer). Juntar o peixe que está quase dissolvido.
falta mais alguma coisa, não?
cortar o tomate, cebola, pimentão e a pimenta de cheiro como minha avó Esther cortaria.
Experimentar e ver se tem gosto.
juntar o azeite de dendê por último e mexer na panela sem parar até dar
ponto. quem conduz define qual é o ponto.
Deixar para comer no dia seguinte. é mais gostoso. é mais curtido
Comer. degustar.
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Thaís de Almeida Prado
para sua Vó de grandes olhos verdes e muitas histórias
Esther Pacheco de Almeida Prado
.para sua Vó de grandes olhos verdes e muitas histórias
Esther Pacheco de Almeida Prado
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Postado por Thaís -
Thaís Almeida Prado ou ...e então, eu abri meus olhos...
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quinta-feira, 16 de junho de 2005
Sonidos
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Irina Toca. Fico num canto escuro escutando. Penumbras. Sua música entra pelos meus ouvidos e poros. Me sinto como aquela menininha de antigamente que se trancava num quarto escuro para escutar sua música preferida! O quarto escuro, o canto mais aconchegante que encontrava. Aqui, um piano ao longe e um galpão enorme escurecido, apenas com um facho de luz que me ilumina muito levemente. Ao toque de Irina meu corpo estremece e sinto uma vontade imensa de dançar. A sensação de um movimento e de uma melodia fazem pulsar o meu corpo. Sou aquela sensação! Uma vontade de chorar, na verdade uma felicidade de saber que aquela menina ainda existe em mim. Aquela que não tem medo de brincar e dançar conforme a música. Aquela que vê nos menores movimentos os momentos mais preciosos, puros e reconfortantes. Irina Não precisa parar de tocar. Ela não sabe que estou la, ela não sabe que estou aqui. Ela treina assiduamente. Eu escuto! Escuto, respiro e danço.
Thaís de Almeida Prado
Le Mans, França - Junho de 2005
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Le Mans, França - Junho de 2005
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