sábado, 2 de janeiro de 2010

ainda sem título, mas já esboçando algum (parte 9)

Parte 9

Levanto de onde estou e resolvo fuçar os cômodos da casa.
O chão da casa range. Não me sinto estável, tudo onde piso em algum momento parece que irá desabar. Como eu a desabar.

Olho para o armário entortecido e vejo a gata siamesa prenha em cima dele. Resolvo abrí-lo.
A porta está emperrada e a fechadura completamente enferrujada.
Me esforço para virar a chave na fechadura.
Puxo com força. Ao abrir um pó branco começa a escorrer do armário com muita força. Me sinto soterrado e queimando.
A gata siamesa mia como as gatas no cio... o Miado é estridente. Meu corpo queima e meus ouvidos explodem.

Neste momento não há pausas.
As pausas seriam uma elipse.
O que é uma elipse mesmo?  O som me causa arrepios.



domingo, 20 de dezembro de 2009

ainda sem título, mas já esboçando algum (Parte 8)

Estou só.
Mais uma vez como de costume.
Mais uma vez como de costume ninguém me percebe aqui.

As árvores não tem mais folhas, estão secas e retorcidas, estão como se amputadas.

Me sinto obscuro.
Não quero mais ficar aqui.
Resolvo sair sem ser visto.
Andar pela estrada cheia de folhas esvoaçastes.
O vento é frio.

Sigo em direção a uma torre, que imagino ser alguma igreja velha, mas ela parece estar extremamente longe. Não me importo e sigo.
No meio do caminho me deparo com ruínas de casas. Ruínas de espaços perdidos pelo fogo, ou por alguma guerra ou espaços simplesmente abandonados...

Dentro destas faíscas de um provável lugar onde pretendo estar, encontro uma casa com vidros quebrados.
Decido entrar para me esconder do frio.

Pulo um janela e me corto em um caco de vidro. A dor é forte mas me sinto bem. Sinto que ainda estou vivo.

Dentro da velha casa encontro um armário antigo meio “entortecido”, algumas camas espalhadas, e uma camisola de renda. A camisola me chama a atenção, está posta em cima de uma cama de uma maneira cuidadosa, como se estivesse esperando sua dona.

Olho e fico admirando aquela geometria.

Lembro de alguma coisa de minha infância. Nada claro...
Nada claro...
Tudo branco na minha cabeça.

Pausa.

Neste momento eu tento me levantar porque percebo que estou caído no chão.
Neste momento ele pretende se levantar porque percebe que está caído no chão.

Neste momento sua dor é grave e ele grita para dentro.
Neste momento ele está só, e só há vestígios.
Um gato aparece e lambe seu corte causado pelo vidro da janela.
A língua é áspera.
A língua me dói.

Pausa.



(continua...)

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

ainda sem título, mas já esboçando algum (Parte 7)

Parte 7

Hoje ela passou por aqui. Estava linda e nua. Seu corpo brilhava alguma substância que eu não compreendia. Ela passou e eu resolvi seguir.
Me escondi por entre árvores e arbustos. Me escondi por entre os musgos e contra luz do sol.
Ela segurava seu cesto, colocava-o no chão, e se deitava na terra molhada. Os gatos começaram a lamber seu corpo. Lambiam de cima abaixo. Ela ria de prazer e enfiava as mãos e os pés na terra. Gritava como se gozasse.
Eu queria correr atrás dela e me enfiar em suas coxas. Queria mergulhar minha cabeça por entre aquelas pernas sadias e fazê-la gritar.
Eu queria tanta coisa, mas apenas observava a cena e os gatos a se aproveitarem daquilo que eu sequer tomei a atitude de começar a fazer.

Outra musa aparece vestida em rendas e passa um óleo sobre seu corpo. Em seguida joga uma espécie de pó que brilha. A musa nua grita, e já não sei mais se é de dor ou prazer.

Os gatos saem de perto e a deixam só.
Eu estou só atrás das moitas, mas me sinto vigiado.

Não sei mais se sonho ou se mergulho em uma realidade distinta de toda realidade que já vivi.

Resolvo sair de perto e procurar uma outra maneira de me aproximar delas.

Tenho medo de ser visto porque parece uma cerimônia secreta e violenta.
Ao mesmo tempo me instiga participar, porque daqui de onde estou pior não poderia ficar. Tenho medo do meu destino, mas sinto que tenho que continuar seguindo.




(continua...)

Paisagens desconexas - sem número de série [Paysages déconnectée - pas de numéro de série]

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

ainda sem título, mas já esboçando algum (parte 6)

Parte 6

Hoje sonhei com as musas. Acho que foi sonho porque não quando abri os olhos eu estava sozinho.
No meu sonho elas vinham juntas, me jogavam no chão e começavam a tirar minha roupa. Eu não estendia muito bem, mas gostava.
Aí eu via a gata prenha passar por mim e me lamber com sua língua áspera. As musas começavam a jogar algo que parecia pequenas pedras em cima de mim, e eu me queimava.
Elas jogaram um óleo e mais alguma coisa áspera em meu corpo.
Eu gritava.

Uma das musas com o óleo passava a me acariciar.
Meu pau ficava duro. Mas doía. Doía muito.
Eu escutava um zumbido nos ouvidos, um zumbido que não se cessava nunca.
A gata prenha me lambia de novo, e depois uma sensação de soterramento me veio sem imagem alguma. Meu corpo ardia e eu me sentia soterrado. Afogado.
Lembro de fragmentos de uma musa com a boca ensangüentada rindo muito. Ela gargalhava, neuroerótica.

A neuroerosis. 





(continua...)


domingo, 13 de dezembro de 2009

Exercice de Regarde / Exercício de Olhar.

Exercice de Regarde / Exercício de Olhar.

Il faut commencer à écrire le scénario. Mais, comment ?
Comment commencer?

Il y a  une Femme là-bas.
Elle regarde vers  l’horizon.

Elle semble regarder  loin, très loin peut-être.
Peut-être attend-elle quelqu'un
Un homme.

Je ne sais plus…

On la regarde.
Au fond, nous pouvons voir un parapluie à même le sol.

*Une autre femme passe par là très vite, elle dit quelque chose que je ne comprends pas.

Mais  après ? et après ça, qu’est-ce qu'il se passe ?

Ah, oui ! Il fait froid.
Le manteau rouge traverse le plan.

C’est un plan séquence peut-être.

Et peut-être le manteau rouge est-il aussi seulement une hallucination.

Je laisse tomber.
Je te laisse tomber.

Peu m'importe.
Je ne fais que regarder le scénario. Je suis toute seule et nue dans une nudité précaire.

Le corps tombe par terre et je sens le froid m'envahir de toute part. Ensuite, une coccinelle me grimpe dessus puis une autre et encore une autre.  Quand je m’en aperçois , je suis envahie  de coccinelles et  saisit par le froid.

Le froid, pour l'instant, ca va. Je ne sens rien, seulement les coccinelles. 

* Une femme passe en courant, habillée d'un manteau rouge

Je peux boire un thé maintenant ou un café… N’importe quoi. Et quand bien même je me mettrais à me masturber ça ne serait pas grand-chose. Ce que je sens, ce que je sens à l'intérieur, c’est ma vie qui brûle ou qui bouillonne.

* Une femme sème du sel.

Et après, après ça j’arrive à la gare…

sábado, 12 de dezembro de 2009

Desimages ou quand elle s'en sors dans la rue vêtu de nue.



Elle m'appelle et dit:

Thaïs, je vais sortir comment la muse, tu me suis ?

- Bien sûr.
  Tu vas nue et en dentelle?


Pause...

Nous sommes allés au marché pour le shopping. Elle avec leur dentelle et moi avec mon manteau rouge.

Nous avons nous filmé.
Nous avons parlé avec le boucher végétarien.


Les enfants ont pleuré de peur. Certains ont trouvé cela étrange.

La prochaine fois, elle va acheter du sel, je dis…

desimagens ou do momento em que se sai na rua vestida de nua.

Ela me liga e diz
Thais, vou sair de musa, você me acompanha?

- Claro.
  Nua e de renda?

Pausa.

Saímos ao mercado para fazer compras.
Ela com suas rendas e eu com meu casaco vermelho.

Nos filmamos.

Nós conversamos com o açogueiro vegetariano.

As crianças saíram chorando e com medo.
Algumas pessoas acharam estranho.

Na próxima vez ela comprará sal, digo.

ainda sem título, mas já esboçando algum (Parte 5)

Parte 5

Um pássaro negro me observa.
Ou talvez eu observe ele.

Não sei, não tem jeito. Não tem saída.
Nada. Quanto tempo mesmo passei aqui?
Será que não é o momento de ir?

Elas não apareceram ainda. Tenho frio. Nem gato, nem sapo e nem cachorro pra contar história. Só as folhas que voam. Loucas.
Esse vento poderia me levar. Me levar sem fim.
Me levar até não sobrar nada.



(continua...)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

ainda sem título, mas já esboçando algum (Parte 4)

Parte 4

Estou sem inspiração para continuar e as maçãs apodrecem aos poucos.
Ah, sim. Não havia falado das maçãs ainda. Aqui, uma macieira me faz companhia. As vezes sinto que coisas caem em minha cabeça. Ontem mesmo caiu uma maçã talvez por isso em algum momento eu apaguei.
Enfim, aqui elas têm caído facilmente, provavelmente a época do ano.

Enfim... sem inspiração.
Sinto que se eu ficar neste banco por muito tempo serei bombardeado por maçãs... ou por merda de pomba. Odeio as pombas. Já disso isso? Provável. Sempre digo isso... Uma vez uma pomba velha e feia veio se sentar ao meu lado numa tempestade de vento frio. Ela me olhava com olhos singelos. Acho que foi a primeira vez que não odiei pombas. Ficamos ali cúmplices durante horas, até que a tempestade passou, e ela se foi andando meio manca. Nos respeitamos. Mas em geral eu as odeio, não sei bem porque, talvez porque sejam muitas e vivem fazendo merda na cabeça dos outros, ou talvez porque disputam como loucas a comida, ou porque vêm de enxeridas comerem a nossa.


O vento passa cortante por aqui.
As folhas têm voado como nunca e as maçãs têm caído mais que o normal. Elas ainda estão boas.

Como para passar o tempo.
As maçãs.


Mais uma.


Hoje estou a ponto de ir. Hoje resolvi que vou seguir as musas e seus gatos. Ainda não descobri o que se passou ontem quando escutei o grito de mulher. O fato é que desde então não tenho visto nem musas e nem gatos.
Justo hoje que decidi ir atrás deles.


Ao longe escuto um barulho do trem que me fez chegar até aqui. Que horas são agora, me pergunto...

O tempo passa e eu continuo sem inspiração para continuar. Me sinto sozinho pela primeira vez, e o vento me assombra um pouco.
As musas não passaram até agora e isso não é comum.
Hoje me pergunto, se ninguém nunca se perguntou do por quê eu as chamo de musas. Não sei, mas hoje eu me pergunto porque cargas d’água? As vezes as palavras me vêm na boca e eu não consigo mais tirá-las de mim. Enfim, começou assim e ficou assim. Sem muitos questionamentos agora.

Parei.

A continuação não flui. Espero que ao menos um gato apareça.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

domingo, 6 de dezembro de 2009

ainda sem título (parte 3)

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Escuto um miado como jamais tinha escutado.
Ao olhar para trás a gata siamesa prenha está sentada e me olha com seus grandes olhos azuis.

De muito longe vejo uma das musas passarem com um vestido nas mãos.

Ouço uma voz feminina cantando uma cantiga de criança.

O ancião de bengala passa por mim, e hoje e parece não ter me visto.
Engraçado tudo isso... as pessoas aqui parecerem ser "de lua". De vez em quando elas resolvem perceber que estou aqui.



MERDA!
MERDA LITERAL! Uma merda de passarinho, ou melhor, de pomba. Odeio estas pombas. Me limpar com o que agora? Achar água ou banheiro por aqui me parece complexo demais. Minto, água tem.
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Escuto um grito aflitivo de mulher de muito longe. Os gatos passam correndo. As musas passam correndo carregando o cesto. Escuto um barulho de porta ranger, mas não faço idéia de onde vem este barulho. Estou só novamente. Ninguém me percebe novamente.
Até quando isso vai durar?


quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Paisagens desconexas - série 1








Arc-et-Senans - França.

ainda sem título (parte 2)

2ª Parte

Hoje faz um frio seco e o gato preto se lava.
As musas aparecem à minha frente nuas, e confesso sentir um certo tesão por elas. Elas brincam com os gatos e carregam um cesto, mas daqui de onde estou não posso ver o que carregam dentro dele. Frutas talvez, ou então flores de setembro.
Me atraem... sim, sinto que deveria segui-las, mas por fim fico aqui parado e tarado (uma rima para divertir o leitor) pela beleza do jogo entre as musas e os gatos.
Todos se vão e quando olho para trás a gata siamesa prenha está sentada me observando. Trocamos alguns olhares e ela sai para buscar comida.

Ás vezes sinto que sou visto sem ser percebido, ou seria o contrário, perceber sem ver... muitas vezes fico confuso com a construção das palavras idéias. Muitas vezes sinto que...
Na verdade o que eu sinto é uma tontura avassaladora neste momento preciso. Neste momento preciso eu preciso... (arghhh mais uma vez este jogo de palavras).
 TUM.

Preto... preto... preto...
                Nada...
Uns fragmentos... umas luzes à minha volta. Ouço pessoas que riem. Não sei, não posso ver. Estou com os olhos cerrados e não posso abri-los.
Nessas horas sinto que será assim... será porque ainda não é... sinto que partirei assim, num piscar de olhos, e TUM, então já não sei mais. Talvez uma musa possa aparecer para me fazer uma punheta, ou então...

Pausa. Dói demais pra continuar. A dor é forte agora. Sinto como se estivesse sendo sugado pela terra. Como se eu estivesse virando raiz... os meus braços, por exemplo, não têm movimento próprio. Minhas pernas formigam e meu fígado faz um esforço para tentar sair do meu corpo.

Grito.

Gritar é bom, principalmente se ninguém te escuta. Na verdade este era um momento para eu ser escutado, mas enfim, estou enraizado. Estou tomado pela dor e pela imobilidade.

Devo sentir algum prazer nisto tudo. A dor, as musas... sim as musas...
O melhor é pensar nelas e ver se essa dor passa.


Pausa.
Neste momento ele está caído no chão.
Pausa 2.
Neste momento nada pode ser descrito. Palavras faltam, imagens não cabem mais.
O que vemos é isso...
Ele estatelado tenta narrar sua “afrodisíaca” aflição.
O vento cessa. As plantas cobrem-no.
Pausa 3.

Respiro. Respiro para dentro, isto é, inspiro. Inspiro o vazio do meu corpo. O corpo oco que dói sem avisar. Dói sem fazer barulho. Alguns corvos cantam no meu ouvido. Vieram me ninar talvez...


Tento me levantar com mais esforço desta vez... tento desenraizar.
Desenraizei as mãos... consigo tirar meu tronco do chão e agora já estou de pé.





 
 
 
 
 
 
Continua...

Seres du Sel


Seres du Sel from corrosivo on Vimeo.
Les chemins du Sel

por Thaís de Almeida Prado

ainda sem título

1ª parte

Em frente do monumento à pessoas mortas observo o vazio.
Procuro uma personagem para me exprimir nesta cidade ideal.

Aqui os pássaros cantam chorando e eu observo alguns anciãos que passam por mim sem me ver.

Duas musas se abraçam e se envolvem em uma dança giratória e vertiginosa. Seus pés quase não tocam o chão e suas vozes são murmúrios... pequenos murmúrios nesta imensa floresta nave (essa palavra se intrometeu por aqui sem eu pedir. Ela veio e ficou assim... “sonou” assim. Deixei que ficasse... me faz algum sentido).

Um dos anciãos passa por mim. Ele é altamente corcunda e se apóia em uma bengala quase de seu tamanho, segura um buquê colorido de flores na outra mão. Ele me cumprimenta e eu me surpreendo de ter sido visto. 
Ele caminha lentamente e vai sumindo do meu campo de visão.

Observo as sombras do monumento como se fizesse parte de uma fotografia preta e branca. 

As folhas do outono voam.

Uma gata siamesa prenha aparece e me olha. Resolvo segui-la e me deslocar do lugar de onde a tanto tempo parado eu esperava. A gata arisca foge. Resolvo procurar por ela como se a gata pudesse me levar para o lugar que há tanto tempo busco. Nada de gata. O vazio do meu estômago me lembra que há algum tempo não como. 
As folhas de outono voam e percebo alguns mausoléus abandonados a minha volta. Folhas secas pelo chão, uma sonata outonal em meu ouvido... Ao longe mais dois anciãos se aproximam de mim, mas não me percebem. Me sinto vazio e meu estômago ronrona.

Longa pausa.
longa pausa num tempo que eu desconheço, e que faz de mim algo insignificante.

Ao olhar para trás, três gatos sentados em fileira me olham. A gata siamesa prenha é um deles. Um dos gatos, preto, mia e sai correndo, o outro, também preto, porém com uma mancha branca na boca se lava.


Resolvo voltar para o lugar onde estava desde o começo ao observar o monumento morto aos mortos.

 Sento.
Um barulho nos arbustos que estão atrás de mim, olho e vejo por entre os galhos secos um dos gatos que me observa; parece cuidar de mim.

As folhas continuam voando nesta pausa do tempo. As folhas continuam voando com este vento pesado. Um vento que traz vozes de longe e o som do sino de alguma igreja velha que talvez esteja caindo aos pedaços.
A cidade está abandonada talvez, mas eu espero ser levado para lá.

Sentado no banco eu não me sinto muito confortável, mas sei que é preciso ter paciência.

Quantos passos levo para chegar até o outro lado destas ruínas? Quantos passos levo para ficar esperando sentado?
Levanto e conto. Os gatos me acompanham onde quer que eu vá, sem que eu realmente perceba. Durante meu percurso, não os vejo ao meu lado, mas se dou uma pausa eles reaparecem. Agora o preto com a mancha branca está atrás de uma árvore.




(do Projeto "Chemins du Sel)

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

vulgo "xamã di céu"

Poderia ficar aqui escrevendo horas para vocês sobre minhas experiências nestas viagens que tenho feito e tudo mais, mas sinto que se escrever demais vou acabar deixando de aproveitar o meu dia apos dia.

Agora em Arc et Senans, o céu tem grandes nuvens pretas, mas o sol não deixa de aparecer por entre elas e iluminar a nossa grande cidade ideal, A Vila de Chaux, uma cidade inteiramente planejada por Claude-Nicolas Ledoux, que só existe até sua metade.
O desenho é de uma meia lua. Só temos a metade...
























* notas de rodapé



Aqui o frio bate e ultrapassa as minhas pernas. Eu não sofro com ele, e isso é bom.
Da janela de meu quarto vejo o centro da Saline, hoje um teatro e uma sala de exposição.



















estamos tentando descobrir os sabores da frança...



segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Residência Artística: Saline Royale d'Arc et Senans





















Carolina Bonfim e Thaís de Almeida Prado encabeçarão este projeto na "Saline Royale", França e terão a colaboração dos outros integrantes do CORROSIVO que estarão em São Paulo.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Maria-ia Catibiribia da Maracutia da Fifirifia

Olho para ela.
Uns olhos que já viveram muito mais do que eu posso imaginar.
Ela observa. Os olhos virados para a direita acima...
o vento que bate na janela e movimenta seus finos cabelos branquinhos.
Chove. o céu é cinza. mas a sala quentinha.
Ela diz sim com a cabeça e sorri.
Vão construir 5 salas.
Onde?
Não sei, foram eles que disseram.
Não vejo ninguém e nem quem disse o que.
Imagino.
Seus olhos continuam no mesmo ponto fixo.
Sim eles disseram, parece que veio dalí.

Será que é na história? Algo do passado... ela diz.
Sem saber como entender, observo a senhorinha frágil, com os cabelos curtinhos e penteados a lá 20, em sua cadeira de rodas e com sua sonda/almoço.
Ela aperta bem forte as minha mãos, tateia o meu rosto, como se tateando ela pudesse me conhecer, ou reconhecer.
Segura firme a minha blusa – Preciso que você me leve no ponto da rua Riachuelo.
Ela tem 85 anos.
O que tem no ponto da rua Riachuelo tia?
.
.
.

.
Não sei

ela diz... porque será mesmo que eu queria ir na rua Riachuelo?
Ela ri.
Olha para mim. Seus olhinhos buscam nos meus uma explicação. Nossa cumplicidade não é racional. Não entendemos quem e o que somos naquele momento. Ela num mundo que desconheço e eu num mundo que ela não mais conhece.
À sério, à sério. Ai ai ai ai ai. E ela repete essas pequenas palavrinhas.
Ai ai ai ai ai. Quero ir pra casa.
Já está.
Quero ir pra casa.
Já está.
Onde é sua casa? Não sei. Não sei. é lá.

Já disse das salas? Sim, disse sim tia. Serão 5.

Preciso ir para o ponto da rua Riachuelo.
Quem está lá?
Não sei...
.
...
.
.
. . . .. . . . .
esqueci.
.
.
.
.
. . . . . . . . . . . . . . . . . .Porque queria ir mesmo no ponto da rua Riachuelo?
Ai ai ai ai ai. Ai ai ai ai ai.
Suas mãos continuam me apertando com uma força que não sei de onde vem. Ela me olha, me busca e sorri.
.
.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Serenata...

Quando cheguei eu deveria ter uns 7, 8 anos.
Eu estava dentro de um navio.
Não.
Eu estava dentro de um ventre. De minha mãe talvez.
Não. Minha mãe não estava.
Eu tinha 7, 8 anos...
Acho que cheguei no frio. úmido...
Tinha dois irmãos. Não, acho que um era meu marido.
Beijei sua boca e disse – "Eu te amo".
Quem estava no ventre não era eu e sim ele. Meu filho. Filho do meu marido.
Meus irmãos cresceram e eu casei. Casei pequena.
O ventre era quente e úmido
mas eu tenho frio
Nasci agora.
Não.
Dei a Luz. Não, não dei a luz. Ele morreu. Morreu antes que eu pudesse lhe dar um beijo.
A minha respiração nunca foi o que deveria ser...
Voltei.
O navio era frio. Escuro.
Não podia ver. Apenas pegar.
Peguei na mão dele e sorri.
Ele não viu meu sorriso... pensou em lágrimas
Tenho medo de não poder mais ver
Não vejo meus pais.
Atravessei muitas lágrimas...
Estou longe demais.
Longe demais do começo.
Sou um meio sem começo e fim.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

do sem nome...

.
.
Dói quando respiro...
Isso sempre vem

A guerra, a guerra e não há guerra de fato.
Espero por algo que não vem?

Quem é você?
uma árvore tentando sobreviver.
Quem é você?
uma jaboticabeira tentando sobreviver.
Quem é você?
ninguém.

À janela à espreita. A janela aberta. Sons dos carros que não existiam, e agora estão aqui.
Uma dor no peito. Uma distância por dentro.

Corro. O barulho das pedras no chão.
perseguição. ferida.
estou ferida. braços, pernas, ventre.
Eu à espreita.

Corro para não existir.
corro para não ser vista.
Aqui todos são vistos.
Vivo na contradição de uma chaminé e um Shopping center.

Que sou eu?

Toco fogo na minha prisão.
A mulher dos trilhos.
frente aos trilhos espero que o trem me arrebate.
Quero ser tacada para o fim do sem fim. Ele existe?

Corro para não existir.
uma mão me arrebata. uma força violenta. vôo.

Eu à espreita olho pelo buraco.
o buraco do meu embaixo.
estou do lado do que se vê.
estou do outro lado do muro.
Alí a guerra é perfeita.
A Guerra.
Eu à guerra.
ou não há guerra de fato. eu na guerra de fato.
aqui eu sou perfeita, mas não me sou.

Quem é você?
eu

um buraco que atravessa o vazio.
.
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sábado, 10 de janeiro de 2009

Corrosivo encontra Emilio García Wehbi


Emilio García Wehbi
nace en la ciudad de Buenos Aires en Marzo de 1964.
Es director teatral, actor, artista visual y docente.
En el año 1989 funda junto a Daniel Veronese y Ana Alvarado uno de los grupos más prestigiosos en el terreno del teatro experimental de la Argentina: El Periférico de Objetos – grupo que propone un teatro de objetos y muñecos, donde la manipulación (en un sentido figurativo y a la vez filosófico, existencial y político) está expuesta a la vista del espectador.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

"Mas Não para pequenos bolsos" - uma performance


Sobre (uma performance ?)

"...Mas Não para Pequenos Bolsos", é parte da performance/instalação "... Mas Não ou Perguntas Idiotas Merecem uma Morte Rápida", que busca promover a relação entre o público, o espaço e a performer.
Neste fragmento do trabalho a performer se utiliza do T.OC (Transtorno Obcessivo Compulsivo) e do texto de Gertrude Stein "Am I to Go or I'll Say So", para se relacionar com o público que pode manipulá-la através de alguns elementos pré-estabelecidos e assim participar diretamente da criação e recriação do roteiro/não roteiro da performance.

Quando (sábado de feriado, pois é...)

22 de novembro de 2008.
Às 15 horas.


Onde (não muito perto...)
Espaço Clarice Jorge
End: Rua José Bonifácio, 516 - Centro
Mogi das Cruzes
Fone: (11) 4725-4398

Quem (???)
Essa que vos escreve.







sexta-feira, 31 de outubro de 2008

PAPEL DE JÚLIA, de Helton Okada

Primeiro Plano 2008 - Critica Cinematografica

Os lábios plasmados em rubi tragavam mais que a fumaça do cigarro. Pareciam tragar os últimos momentos de realidade, antes do chamado de André. Papel de Júlia começa desfilando possibilidades. A cogitação de que o casal já se conhecia surge em determinados momentos, no entanto, a forma como os papéis são desempenhados demonstra que a trama envolve mais elementos simbólicos do que podemos visualizar na tela. Letícia torna-se Júlia. E a encarnação desse papel traz consigo certo pesar, certo desejo de contestação. Letícia precisa se anular, se despir de si, retirar seu batom rubi, para se encaixar na fantasia de André e seu vestido perolado.

O portal para uma fenda no tempo é aberto quando a aliança enlaça o dedo de Letícia/Júlia. Talvez não venha a ser uma fenda no tempo, mas apenas uma fantasia nunca concretizada com uma Júlia morta, desaparecida, presente, ou mesmo de bruma.

Letícia se entrega finalmente a este universo que parece não ser de todo desconhecido por ela. Durante a volta, no carro, Letícia já indica seu desconforto, como se o retorno para a realidade fosse penoso. A chegada à rua fecha o ciclo. André agradece à Letícia pelo serviço prestado, como se tratasse de uma necessidade corriqueira, trivial. Sua fala (“Qual seu nome mesmo?”) traz para a cena um clima até então inexistente de leveza e naturalidade, o que não infere, necessariamente, sinceridade.

Letícia se senta no chão e acende o cigarro. Novamente junto com o trago, a personagem suga sua realidade e retoma seu papel de Letícia. Seu riso nervoso deixa escapar uma dualidade entre a atração pela desfiguração de si e de seu mundo e a negação da sua identidade. O curta deixa no ar uma sensação de leveza, porém não “des-tensa”.

Papel de Júlia traz à tona questões importantes, dentro das perspectivas pós-modernas de fluidez e não-pertencimento, que tangem a nossa existência e a forma com que lidamos com nossos desejos e as possibilidades de transmutação. Negociações difíceis que exigem momentos de reflexão, sugeridos nas sutilezas do curta de Helton Okada.

Raquel Lara Rezende

PAPEL DE JÚLIA, de Helton Okada

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Quando Corpo e Vídeo, Tempo Real e Editado Trabalham Juntos


De "A Adormecida que Mordeu a Maçã Verde e Não Colocou o Dedo na Roca"



Territórios Recombinantes
postado por Paloma Oliveira

Thaís de Almeida Prado nasceu em Belo Horizonte (MG), mas foi criada em Curitiba e em SP, onde vive. Estudou teatro, dança moderna, cinema e fotografia. Formada em direção teatral pela ECA/USP, estagiou na França por um mês com o Théâtre du Radeau, onde participou do Festival de Thêàtre d’Avignon como assistente de producão do espetáculo “Vocal Masala”, de Mathilde Lechat; acompanhou o Festival “États généraux du Film Documentaire de Lussas
Em 2002 entrou para a Cia Auto-Retrato de dança-teatro. Seus trabalhos permeiam a interdisciplinaridade na arte se utilizando das linguagens artes visuais / cinema, teatro, dança para expressar cada trabalho de uma maneira singular. Sem a preocupação de se rotular e definir um único caminho (aliás, muito ao contrário), Thaís é performer, atriz, diretora, roteirista, videoartista, escritora, poeta… ninguém imagina que ela, tão pequenina, com um nome tão grande possa ser tão versátil assim, mas é.
Uma das pessoas que viu essa multifaceta foi Peter Greenaway que abarcou o projeto de Thais A Adormecida que Mordeu a Maça verde e não Colocou o Dedo na Roca à sua exposição no 16o vídeobrasil em 2007.
Essa intervenção concentida transformou a exposição de Greenaway em um lugar vivo, não apenas de obras soltas, mas matéria orgânica e vibracional. Não que todas as exposições devam ter um performer, mas o bom uso de diferentes formas de expressão criativa (assim como o trabalho do próprio Greenaway) transformaram o vulgar em a algo mais… um pouco sobre o projeto nas palavras da própria Thais:
O projeto era dentro da Exposição Tulse Luper Suitcase, do Peter Greenaway.
Fui convidada, ou melhor, me convidei a estar na abertura da exposição dentro de uma das malas expostas (uma mala para Harpas. número 40). Teria que dormir. Então fiz uma contraproposta, “dormiria” na mala, mas escreveria minhas experiências e minhas relações com o espaço e deixaria à mostra este diário de notas para o público. A performance era a minha própria escrita em movimento. Inventava histórias, confundia com textos de alguns autores que gosto, com fragmentos dos filmes do Greenaway etc.
Resolvi que iria todos os dias e ficaria pelo menos 1h. criei um jogo de obstáculos para mim. Dormir não era bem dormir. Estava num estado dormente, onde realidade e sonho se confundiam. Deitava na mala, mas escutava tudo e todos, muitas informações e muito material para criação. quando não estava na mala, estava pelo espaço. Parada muitas vezes em estado de contemplação. contemplava os outros.
Eu era como uma imagem, como um objeto vivo no meio do espaço, daquele espaço que tinha o “morto” e o museológico bem presentes. Era uma natureza morta, porém com vida.
Minhas ações eram mínimas, mas perceptíveis. Respirava, chorava, sorria. Brincava com o gelo que derretia em uma outra mala, olhava no olho de alguém durante horas. A Busca era estar “presente” e ser notada sem ser o foco; ser notada sem ser um evento. era simplesmente eu. de camisola branca. Muitas vezes eu não estava lá no espaço, mas a presença ficava. o Livro permanecia, as pessoas me procuravam.
Havia um mistério em se procurar essa mulher que nem sempre estava. quem era, o que pensava… etc
Através da minha escrita me comuniquei com o público… eles começaram a me escrever cartas em resposta. Foi um processo muito intenso e ao mesmo tempo delicado. Passei um mês sem querer sair e fazer outras coisas. me confinei de uma maneira boa. à moda da Sophie Calle (uma artista francesa, que esse ano tá na Bienal de Veneza)
O tema se tornou a Espera. a constância. o mínimo como máximo.
a maçã verde que mordi e que ficava ao lado de minha mala apodreceu com o tempo. ela era o meu tempo naquele momento.
e talvez eu fosse ela
Uma pequena entrevista cedida por Thais ao TR…

NOVAS INQUIETAÇOES
Nos dois últimos trabalhos, eu pesquisava a relação do performer com o espaço (uma instalação multimídia) e com o público. Foi assim em “…Mas Não” e “A Adormecida que Mordeu a Maça verde e não Colocou o Dedo na Roca”, este ultimo foi feito em parceria à exposição Tulse Luper Suitcases, do Peter Greenaway.
No novo trabalho que estou desenvolvendo com o CORROSIVO coletivo, a pesquisa anterior permance, e trabalhamos com uma parte de video documental entrevistando quem já conviveu com o ambiente da Casa das Caldeiras, ainda estamos em fase de criação, mas pretendemos fazer uma instalação cênica. O tema é a Transitoriedade.
Nos trabalhos que faço percebo que a questão da memória e temporalidade são bem fortes, mesmo que não parta de nenhuma destas questões, de alguma maneira acabo chegando a isso.

ESTETICA E PLASTICIDADE
Normalmente parto de uma pesquisa de linguagem que me inspire na criacão estética, e que se relacione com o tema já escolhido, ou vice e versa. Pra mim é sempre importante ter a questão da pesquisa de linguagem, de adentrar lugares desconhecidos e um tema que me cause “formigamentos”, porque senão parece que falta alguma coisa…
Mas isto é um gosto pessoal.
Não busco uma única linguagem nas artes, acabo sempre indo para a interdiciplinariedade. Acho que a estética que busco, se assim podemos, é a fusão das diversas linguagens artisticas. Na verdade isso não é consiente, vem com cada projeto, ele mesmo acaba me levando a seguir um caminho ou outro. Vai depender de qual for a melhor maneira de me expressar com ele.


O CENARIO NACIONAL
Acho que esta interdiciplinariedade que falei acima está muito presente no trabalho da maioria dos artistas.
Mas é engraçado que ao mesmo tempo que buscamos esta fusão e a não classificação de algum trabalho (se é dança, teatro, cinema, videoarte), sempre existe uma classificação, ou alguém pedindo que nos classifiquemos. Só uma divagação sobre a mania que o ser humano tem em colocar nome nas coisas… mas sei que o buraco é mais embaixo.
Acho que eu não consigo dar uma resposta fechada sobre como vejo a cena atual. tenho visto muita performance, dança, cinema ficção e documentário, videoarte, teatro documental… realmente nesses ultimos meses fui bonbardeada de informacãoes e eu preciso deixar a poeira baixar…
APRENDIZADOS E PESPECTIVAS
O processo de criação está sempre muito relacionado aos momentos de vida. Essa troca entre vida que alimenta arte e arte que alimenta a vida, é um dos grandes aprendizados…
Perspectivas são continuar me arriscando, mesmo que dê algo “errado”.
REFERENCIAS
Tenho uma lista que me influencia muito e que sempre retorna na minha “cabeceira”… Hilda Hilst, Sophie Calle, Peter Greenaway, Rogério Sganzerla, Mario Peixoto, Helio Oiticica, Marina Abramovic, David Lynch, Maguy Marin, Beckett, Pina Baush, Jan Fabre, Francis Bacon (o artista plástico), Nietzsche, Sartre, Heiner Muller, Clarice Linspector (o Água Viva principalmente), o casal Matthew Barney e Bjork, Radiohead, de música tem muita coisa também…
enfim, acho que o que mais me atrai neles é que existe uma radicalidade e um risco muito forte. Eles quebram com padrões da arte, mas não pelo simples fato de quebrar, pelo fato de não se satisfazerem com o que já têm. Não sei se dá pra entender…
Acho que eles se arriscam sem medo, claro que ultimamente tem alguns que não andam se arrisando muito, mas…
Existe uma loucura neles, e existe um sarcasmo…
Sem dúvida eu sou influenciada por eles, escolhi eles porque vejo uma afinidade muito forte.
Em alguns trabalhos parti de estudos da obra de alguns artistas como no caso da Hilda Hilst, do Peter Greenaway, do Sartre, e da Sophie Calle, mas na maioria das vezes estes artistas são minhas referências indiretas, eles na verdade me inspiram para a vida.




quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Corrosivo encontra Quarto Physical Theater

Postar, postar e postar...
ando devendo esta postagem desde nosso encontro com a Quarto Physical Theater / Quarto Teatro Físico / Quarto Fysisk Teater...
O que dizer deste encontro...
Foram tantas divagações... discussões existenciais sobre uma mesa com toalha de (algo que a gente tinha gostado muito, mas eu não me lembro o que é)... lá na casa da Renata...

Qual a condição do artista...

Como poder ser o que se propõe a ser, num país onde a dificuldade financeira grita, e o capital domína.

Foram tantas questões...
*Lembro-me de um de nossos ensaios, o primeiro para Leandro e Ana, onde falamos das *questões personagem/ator... ou personagem vs ator
*
Afinal, que máscara é essa que eu trago e que muitas vezes não parece fazer sentido... ?

Um dia corrosivo e quarto se encontram na sala de um tal eletricista. Resolvemos conversar a partir do corpo. Não falamos... respiramos e fizemos uma partitura de movimentos... uma sequencia onde a base era a respiração e a região do ventre... Tão filosófica quanto nossas conersas... tão existencial quanto...
A Renata vencendo seus LimitesBacia... lindo ver a Ana trabalhando ao lado da Renata, e lindo para mim e a Carol que recebemos o olhar do leandro...
UMA HORA A CABEÇA DEU PANE... OU FOI O CORPO. o Meu...

Tudo iso aconteceu na primeira semana de novembro e agora ficou caótico na minha memória....
quebra cabeças.

Não consigo mais ter certeza de nada... acho isso, acho aquilo

Acho que os olhares entre as caldeiras são esses quebra-cabeças que vamos montando durante o processo... um dia a gente acha uma peça dentro de um experimento e coloca sobre a mesa para tentar encontrar onde ela se encaixa... mas talvez esse encaixe possa variar a cada novo dia...
cada peça surge da relação entre os corrosivos e principalmente das pessoas que passam por nós e nos deixam marcas.

Fragmento-me novamente... e tento mais uma vez...

Ensaio aberto da Quarto
frutas, casacos de pele, saltos, fitas, nu, o macaco, o som, microfone, a maça na boca de quem fala... uma cantora de Blues/Rock?
"Tente ser você" - ela diz pra ele.
"√amos tentar outra coisa" -ela diz novamente.
Deixe essa máscara, seja você.
Ela dança. dança? sim, ela dança
Ele lembra da infancia... me remeto ao Retornarse
Ela come suas mexiricaseios
Ele dança nu com a maça na boca
em algum momento ela colocou fita crepe vermelho no chão e falou de macacos...
ele andou entre esta fita e comeu o microfone.
Assim? nessa ordem?
assim nesse momento. agora.
São tantas fotos em minha retina... tantos sons e cheiros que restam... eu poderia narrar um principio meio e fim, mas não é isso... não é isso que quero...

Abraçøs longos e apertados...
Parece que novamente reencontrei pessoas que fazem nossos olhos brilharem
Meu coração quer saltar pela boca, porque eu realmente estava extremamente a flor da pele. calma... um pé depois do outro... calma... respiro uma felicidade melancólica de ter me reencontrado no encontro com eles... eles corrosivo, eles quarto, eles auto-retrato.

Não vou reler...
vai assim como um fluxo de pensamento
não quero correções,
quero o agora.

Thaís

domingo, 19 de outubro de 2008

de Thaís: proposta de experimentação





Dependendo de onde e como você esteve (sentado, deitado, atrás do muro, da janela, do alto do edifício, dentro de um buraco, invisível ou na chaminé) a olhada foi uma e única (não nos responsabilizamos)

o piquenique aconteceu em 1929 próximo ao Rio Tietê / Em 2008 aconteceu em um heliporto (também conhecido como campo de golfe e/ou estacionamento de helicópteros)

Estiveram presentes duas garotas amigas.

na bela cesta:
comida farta: frango assado, carneiro assado e polenta suculenta (preparados pela mãe) / comida rápida: pipoca de microondas, mini-cenouras lavadas prontas para consumir e, para acompanhar, algumas bananas (adquiridos no supermercado do novo shopping center, localizado na esquina)

há pássaros.
há ruídos.

estávamos sendo vigiadas.
foi um dia atípico para um piquenique: não fez sol e a garoa era incessante.

por Carolina Bonfim e Renata Ferraz

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Postagem para CORROSIVO

Bom, começamos com um proto-energético... acho que ele influenciou de uma certa maneira as nossas relações com o espaço.
Os nossos olhares. eu estava ansiosa para escrever, pois observar é o que eu mais faço ultimamente... aliás é o que eu mais sempre fiz. Queria escrever pra parar de observar... mas mesmo assim a observação ao espaço foi boa... acabei transformando a ansiedade em música, fala, dança. Depois consegui escrever baseada nos elementos que ali vivi.
"Perseguição... pedrinhas... pessoas que corriam a minha volta. Por que correm? será que fogem também? a casa é quentinha e tem as luzes acesas. quem mora lá? queria poder passar do outro lado do muro, mas sei que se eu passar eles vão me pegar. Aqui está tudo corroido pelo tempo. acho que eu também me deixei corroer."
Alguma coisa de semelhante entre todos ali naquele espaço. -o que me fez parar de correr? a competição talvez, disse o Alê. gostei tanto desta outra frase do Alê: "eu queria que uma Pedra me achasse e não que eu achasse uma". - o marcos andava de costas, pra não ir de frente contra o vento. andava de costas e confiava em si, como se soubesse pra onde ia sem ter que olhar pra frente. Andar pra frente olhando pra trás. A Carol destacou as epidemias no início do séc. XX, pois havia lido um livro sobre isso e neste momento se depara com um rato vagando pela casa das caldeiras...
E uma pergunta: o que a Re fazia enquanto a gente vagava naqueles 40 minutos gelados e cheios de informação? Pesquisar entre 1880 até 1932... bisavós... quem foram e onde estiveram...


Acho que é isso...
por Thaís
.
.

Tempo Forte

No contexto do Programa de Residência Artística OBRAS EM CONSTRUÇÃO, a Casa das Caldeiras apresentou de 01 a 05 de setembro de 2008 os projetos em desenvolvimento dos artistas e pesquisadores residentes.
O Programa valoriza o processo do artista no curso do desenvolvimento de sua obra com o local, tendo como desafio, a dialética entre Arte, Território e Patrimônio que a Casa das Caldeiras peculiarmente propicia.
O Programa consiste em viabilizar espaços de Residência propondo acompanhamento logístico, administrativo e de estruturação do projeto, fomentando um contexto de troca de conhecimentos, métodos e impressões entre seus residentes.

Residência Artística: Casa das Caldeiras

E surge O CORROSIVO...

As artistas Carolina Bonfim e Renata Ferraz, após trabalharem juntas durante cinco anos no mesmo grupo teatral, sentiram a necessidade de desenvolver um trabalho artístico em espaços não convencionais onde pudessem integrar outras linguagens artísticas e trazer o público como o participante de suas obras. Resolveram, então, reunir-se com os artistas Alexandre Teles, Marcos Gorgatti, Thaís de Almeida Prado, Mario Lopes e Edson Secco de diferentes áreas (artes visuais e vídeo, performance, teatro, música,), com o objetivo de pesquisar o terreno híbrido em que as artes se encontram. Criou-se, assim, o coletivo corrosivo.
O trabalho mais recente que o Corrosivo realizou foi uma intervenção urbana na cidade de Rosario (Argentina) dentro do III Festival Internacional de Arte Digital, realizado com o apoio do Ministério da Cultura do Brasil - Programa de Intercâmbio e Difusão Cultural. A intervenção Soa como caos foi pensada e elaborada especialmente para o Festival confrontando patrimônios culturais e a cidade.
Além do projeto “Olhares entre Caldeiras” estamos em fase de desenvolvimento do projeto Andares, selecionado pelo Edital de Co-Patrocínio para Primeiras Obras, promovido pela Secretaria da Cultura do município de São Paulo. O projeto parte da investigação dos espaços relacionados ao Centro Cultural da Juventude e está intrinsecamente ligado aos desejos das pessoas que se relacionam direta ou indiretamente com ele, bem como seu espaço geográfico, político e cultural. Para tanto, buscaremos co-criadores na comunidade e nos seus freqüentadores.
Olhares entre Caldeiras
O projeto propõe a criação de uma Instalação Cênica a partir da pesquisa e a reflexão de um espaço vivo como a Casa das Caldeiras, que abriga histórias, memórias e re-significa sua funcionalidade na cidade de São Paulo.
Pretende-se criar uma nova relação com este espaço e interagir com seus componentes históricos, arquitetônicos, humanos, com sua paisagem, clima e demais elementos que o caracterizam.
A realização da Instalação Cênica pressupõe a interferência direta do público não só durante a construção da obra como também em cada dia das apresentações.
Nossa intenção não é recriar a realidade, mas intervir nela. Qual é a relação que as pessoas estabelecem ao passar por um mesmo lugar diariamente? O que pensam e sentem as pessoas sobre as suas memórias, histórias, desejos? E as pessoas que conhecem esse mesmo espaço por dentro? O que nos remete um espaço? Que histórias eu posso criar a partir de um lugar?



quinta-feira, 19 de junho de 2008

A Poética:

De frente para a câmera
............. Ela Anda...........
................... Ela conta
..........................1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 12 13
.................................. Ela perde a conta.
...................................Lágrimas nos olhos.
A câmera se afasta e a deixa minúscula.

Schubert

....Ela desEla.
....Projeções de si.
....Sua duplicidade.
....O Ambiente interno.

....Ela útero
....A câmera na água
....Ela é manipulada como um bebê
....Barulho d’água

....Ela Terra
....Quedas
............Asfalto. Sons do Asfalto.
................................................As Panes.
O som misturado a melodias
frase de entrevistas entrecortadas.
A respiração como forma de texto.
O Grito.
1, 2, 3, 4, 5, 6, 7,8. São 10. Falta 1
.....................15. São 15. Falta 1
.....................1 sempre falta.
.....................Onde está o meu 1?
Crianças dizem fragmentos de palavras sonoras.

Eu toco você?
Onde te toco?
Meu toque incessante
Meu toque insinuante
Meu TOC insensato.
minha tentativa de brincar com as palavras/som... piégas?

Música dos Aborígines australianos. Gaitas de fole. heim!!? onde foi que parei?
O corpo em Crise.
Fragmentos.
Ela em movimentos de contorção.
Deformação.
O corpo na penumbra da luz.
Paralisia.

Algo me puxa para dentro de mim.
Afundo-me
Ela deixa de ser ela para ser outro.
.....................................Fragmento.
O coração pulsa.
Comprime para explodir.

Dói quando respiro.

As ruas muito movimentadas
Não gosto de ser observada. – Diz ela.

Dói quando respiro.
.
.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Algum quadro exposto

Algum Quadro Exposto

Ele a abriu.
A desdobrou, a virou do outro lado...

Dentro dela,
.......................nada
Só o Vazio.

Suas vísceras expostas
Suas vísceras expostas
Suas vísceras expostas
.............Dentro,
...........................Nada

Algo vermelho escorria
Ele não entendia o que era.
Suas mãos também vermelhas
Ele, escorria um líquido salgado.

Ele não sabia o que era no meio daquele Nada dela.

Sozinho,
em pânico
Paralisado.

Ele respirava dor.

Dor não física

Dor quântica.

Pingava vermelho no salão.
Todos sorriam amareladamente.
Ela exposta, observava as próprias vísceras.
O prazer da Descoberta.
Descobrir O de dentro.
Era ela apenas. Ela que estava alí.

Ele tentava sofrer o mesmo procedimento dela
em frente àqueles sorrisos amarelos,
mas algo não funcionava.
Suas vísceras não estavam expostas.
Sua bílis pingava.
Ele,
...........perdido
Respirava.
Respirava bílis

mas seu líquido não era vermelho.
Perdia a coloração a cada pingo.
A cada gota
.....................transparecia

O prazer do nada dela se esgotava
O prazer do nada dela esperava continuar nada
Ela se expremia para escorrer.
As pessoas a sua volta sorriam amareladamente.

Deglutida Ela.

Ele devorava-se sem saber qual era seu começo e onde findava seu fim.
Findar seu fim...
Redundante, ele olhava
...................................perplexo.
.............................................paralisado.

O nada dela o contaminava,
mas seu líquido nunca VERMELHO

Os olhos pululavam.
................................Os dele
........................................Os dela.
As pessoas sorriam e davam as mãos.

E o líquido amarelo?
Por onde sai?
..............Fica
Não sai. Fica.

Ei, Homem! O que tem na minha boca desvairada?

Aparentemente

....................................................Os dentes dela estavam brancos.
Suas mãos iam perdendo a coloração pele e se tornavam uma cor só
Uma cor que se perdia dos olhos.
Suas mãos mudaram do ponto de partida.
hora podiam ser seus pés, hora seus olhos, hora sua língua.

...............Lambia
Ela lambia com as mãos
.........................................Ele
........................À espreita.

Mordia-se
mordia-se para poder engolir suas vísceras
que não apareciam.
.

Thaís de Almeida Prado.
Estrada de São Paulo à Londrina, dia 1 de maio de 2008

terça-feira, 20 de maio de 2008

para uma Adormecida que Mordeu a Maçã Verde e Não colocou o Dedo na Roca

Uma Mulher dorme em uma enorme mala. Uma mala para harpas...
seria um caixão?
Uma mulher escreve em um caderno antigo e veste uma camisola do século XIX.
Escreve o que?
Ela percebe os outros à sua volta.

À sua volta, ninguém.
Malas. Apenas. ............ 92 malas com numerações específicas.
A sua; a de número 40.

A mulher resolve que deve sair da mala e procurar.
O que procura?
A quem procura?
Ela procura estar lá. Apenas estar, e contemplar o que há para Estar.

Ao andar, vê as faixas de segurança amarelas e as segue.
Contempla...
Contemplam...

Espero por alguém que não está – diz a moça com um brilho no olhar...
lágrimas escorrem.
Ela lambe o gelo. E bebe para matar a sua sede que não cessa jamais.


A mulher volta ao seu leito e se deleita com palavras/imagens escritas na hora.
Elas são sua vida. São a sua forma de procurar e de esperar.


Thaís de Almeida Prado para a Adormecida da mala nº 40

sábado, 17 de maio de 2008

Mas Não ou Perguntas Idiotas Merecem uma morte Rápida

Toc toc toc..
alguém bateu...
Ela bateu.

Ela anda perdida.
Não vê razão para se encontrar.
Ela espera por um caminho
mas não faz idéia de como chegar.
Sem andar,
ela pode paralisar.

Começa a contar para não se perder...
tem 15 são 10! falta um
ela se perde...

tenta se organizar...
tudo milimetricamente colocado.
Tudo em seu lugar.
Mas tudo parece fora do lugar
meu lugar...
seu lugar
eu lugar
para um lugar.

Ela busca nas palavras soltas de uma velha senhora, uma compreensão de onde está.

palavras soltas não tão soltas,
palavras soltas bem presas,
porque a senhora as prende com presteza.

Ela tentava rimar...
linhas iguais...
uma métrica.

mas ela se perdia...
e se perdia cada vez mais.
- Ela não sabe rimar.

Ela diz que sabe de tudo,
Mas não

No desespero de se encontrar
ela descobre onde procurar.
existe uma luz.
uma luz em um casulo.
um casulo que a devora

as pessoas são sádicas
e ela também

ela espera sua vez para poder funcionar.

ela segue as linhas
toc toc toc
precisa contar até três
toc toc toc
passos por perto

uma música a amedronta.
a música é a pílula.
a pílula são perguntas.
perguntas de respostas fáceis
fáceis por demais.

ela depende dos outros
respostas de outros

por não saber mais como chegar
ela pede
ela reclama
ela....
piiiiiiiiiii

deu pane

PRIMEIRA PANE

ela está desidratada.

escuta-se sons.
crianças, velhas, jovens...
todos falam.
todos andam.
se mexem
todos todos todos
todos os dias ela se repete
repete tudo de novo

todos os dias ela se esquece...
e esquece mais um pouco.

está só...

tem um corpo.
o corpo não sabe o que faz.
ela não sabe o que Corpo faz.
ela faz o que corpo faz.

gertrude
gertrudes
uma rainha e um príncipe bobo
príncipe louco...
perdeu a razão do tempo
tempo com razão?

qual é a razão do tempo?

tempo 1
estou parada e respiro em dois tempos

tempo 2
conto quanto tempo o tempo tem
fora do tempo

tempo 3
observo eu e eu e eu e eu novamente falo.

tempo 4
acho que sei onde estou

tempo 5
onde estou mesmo?

tempo 6
eles estão por toda parte.
eles estão lá, estão aqui...
o corpo filho doutro NADA MEU

tempo 7
abortar
operação abortada

tempo 8
o general gosta
a luz
meu corpo contém clara de ovo

tempo 9
escrever escrever escrever e não precisar saber o porquê

tempo 10
tudo disso
nada disso
onde estou?
onde vou?
vou de novo
vôo de novo para quedar-me com calma.

FIM DA PRIMEIRA PANE

recomeço
Nesses caminhos os começos começam
começo começado
começar agora
nesses caminhos as trocas são extemporâneas.

se recomecei, onde foi que comecei?
onde foi que parei?
parei com calma, mas não...
mas não estava com calma porque de onde estava não se tinha calma
estava onde o tempo faz a curva (isso foi uma inserção da minha cabeça, não deveria parar por aqui.)
curva
onde foi que parei?
sim, tropecei
repeti o começo do recomeçado. do irrecomeçado
ele estava assado em alguma parte daqui.
Comi.

acho que foram as pílulas.
a música
as perguntas
as respostas fáceis

pronto
1 2 3
preciso contar
são 5 e tem 6 falta 1
porque sempre falta um?
falta um até quando passo da conta.
sempre falta 1 até com 10, quando são 7 e 20 quando são 5
falta 1
novamente um.
como o jogo onde sempre falta 1.
resta 1
quantos faltam agora?

falta aquele que não me conta onde está a parte que me falta
a parte ou as partes
à parte
eu sempre digo
à parte:
- um solilóquio ambulante
você já viu as pessoas que andam por aí?
elas andam me falando coisas
andam me fazendo parar.

estática
estava eu alí
olhando para eu e para eu e não entendia nada do que dizia
você já viu uma mulher que fala o que não fala sem entender

sim...
oh sim
sim sim
e sim mais uma vez para deixar bem claro o que eu deveria dizer.
sim.
acho que é isso,
entende?

eu deveria dizer que sim a todo custo para não dizer não.
muito simples.
não não pode

já vi que não posso mais parar.
não posso...
o corpo dura muito tempo ainda...
existe muita clara no meu ovo.
ela é toda transparente, mas ainda não cheira podre.
podre não pode.
ainda cristalina.

quando você mexe a sua clara de ovo...
os movimentos ficam mais fáceis...

pois bem... estava eu aqui fazendo meus movimentos
e então apareceu alguém que colocou uma música irritante...
irritante...

onde foi mesmo que eu queria chegar?
queria chegar em algum lugar para parar.
não paro para parar.

assim fico com falta de ar.
como uma flauta que não toca...
sim, flauta se toca com ar.

com sopro, entende?
você poderia me soprar?
poderia me inflar e voar talvez...

talvez...
mas não agora...
mas não
not now

Thaís de Almeida Prado para ...Mas Não
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terça-feira, 29 de abril de 2008

um caderno para respirar...

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São Paulo, 29 de Abril,
uma madrugada chuvosa e fria...
eu a espreita...
eu relato...
desisto.
tento novamente e desisto por fim.
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Ainda me identifico mais com meu caderninho ao Blog...
lá eu ponho o tato, o cheiro, o som, as cores e as rasuras que acontecem no momento da minha escritafluxo.
aqui eu apago, deixo mais limpo... não deixo espaços em branco...
não deixo pausas de uma respiração... apago... e apago novamente, e me corrijo e me concerto...
concerto o que seria o meu melhor desconcerto.
o Blog ainda não é meu caderno de notas, e acho que não será... serão notas passadas a limpo...
notas reordenadas... notas sem desenho, sem linhas tortas e avessas...
notas sem o tal frescor do meu caderninho...
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espaços
espaços
espaços
e mais espaços...


assim me sou
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